O senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu nesta quarta-feira, 4, que a escolha do próximo presidente do Senado ocorra de maneira pública, permitindo a identificação do voto de cada parlamentar.
A importância da transparência legislativa
Para o parlamentar, a exigência de publicidade nas urnas do Congresso é fundamental para aproximar a atuação dos políticos das expectativas dos eleitores, evitando o desalinhamento entre o discurso de campanha e a prática legislativa.
“O voto aberto é extremamente, eu acho, recomendável e necessário”, afirmou Marinho. “Agora, nós vamos avaliar de que forma isso pode acontecer. Eu acredito que qualquer cidadão brasileiro gostaria de saber como está votando o seu representante.”
O senador acrescentou que a divergência entre a postura apresentada durante o período eleitoral e o comportamento adotado no Parlamento pode ser interpretada de maneira negativa. “Para evitar isso, seria de bom tom que os votos fossem absolutamente transparentes”, afirmou, classificando essa situação como “estelionato eleitoral”.
Cobrança por exposição pública
O parlamentar reforçou que a atividade política exige responsabilidade direta perante a sociedade, sem espaço para subterfúgios nas decisões tomadas dentro da Casa.
“Aliás, quem é homem público tem a necessidade de se expor, de ser inteiro, de não se esconder”, disse. “A população precisa saber como os seus representantes se posicionam.”
Desafios regimentais e cenário eleitoral
Apesar da defesa do senador, a alteração no formato de votação esbarra nas regras internas da instituição. O artigo 60 do Regimento Interno estabelece que a escolha dos dirigentes da Mesa Diretora, incluindo a presidência, deve ocorrer por meio de escrutínio secreto.
Em fevereiro de 2025, a mesa diretora do Senado negou uma questão de ordem que questionava o sigilo. O entendimento foi de que a modalidade é uma prerrogativa legítima da Casa para organizar seus processos, visto que a Constituição não obriga a abertura dos votos nessa disputa específica.
Nos bastidores da política nacional, Marinho oficializou sua postulação ao cargo após um encontro que contou com 33 parlamentares. Ele busca concorrer contra o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), embora a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantenha articulações para viabilizar sua candidatura. De acordo com o líder oposicionista, existe um acordo para alinhamento futuro entre os aliados, embora ainda não haja prazo definido sobre quem poderá retirar a postulação em favor de um nome único.