Uma criança de 2 anos faleceu nesta quarta-feira, 4, depois de dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) localizada em Novo Gama, região do Entorno do Distrito Federal. A vítima apresentava diversas lesões corporais e indícios de violência sexual, o que motivou a prisão em flagrante do padrasto, um jovem de 23 anos que agora é investigado pelos crimes de homicídio e estupro de vulnerável.
Atendimento médico e acionamento policial
Por volta das 8h, a equipe médica acionou a Polícia Militar de Goiás (PMGO) logo após a chegada da paciente em estado de parada cardiorrespiratória. Conforme explicou o tenente-coronel Ricardo Neves, comandante do 14º Batalhão da PM no município, os profissionais de saúde constataram ferimentos graves nas regiões íntimas da menina, com registros de dilacerações na vagina e no ânus.
O suspeito conduziu a vítima até a unidade de saúde depois de pedir socorro a pedestres na rua. Aos policiais, ele alegou que a garota teria sofrido uma queda enquanto tomava banho. No entanto, o comandante ressaltou que tal justificativa diverge completamente do diagnóstico clínico.
“Ele nega os fatos referentes ao estupro e à morte. Diz que estava dando banho na criança, que ela teria caiu. Mas essa versão não condiz com o atendimento médico e com o relatório médico, que diz justamente que a criança sofreu violência sexual”, afirmou o tenente-coronel ao Jornal Opção.
Depoimento da mãe e histórico do suspeito
A mãe da menina foi encaminhada à delegacia para prestar depoimento sobre os acontecimentos. De acordo com as autoridades policiais, ela declarou que havia saído da residência e deixado a filha sob os cuidados do companheiro. As apurações sobre o ocorrido estão sob a responsabilidade da Polícia Civil na cidade de Luziânia.
A corporação militar também revelou que o indivíduo possui passagens criminais registradas no estado de Mato Grosso, abrangendo crimes como homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e violência sexual. O comandante destacou que o homem tem ligações com a facção Comando Vermelho e havia se estabelecido na região havia poucos meses.
Relato da família e investigações em andamento
O avô materno, Klinger de Oliveira, de 43 anos, declarou ao portal Metrópoles que a mãe e o padrasto mantinham relacionamento há aproximadamente três meses. Segundo o relato, a neta costumava passar os finais de semana com o casal e, cerca de duas semanas antes do óbito, passou a exibir marcas de hematomas pelo corpo.
Klinger mencionou que advertiu a filha a respeito das lesões, mas obteve negativas sobre eventuais agressões. Ele acrescentou que ele e a esposa já desconfiavam do ambiente e relembrou que, em certa oportunidade, o padrasto chegou a dizer que dispensaria a contratação de babás porque ele mesmo faria a guarda da criança.
O suspeito enfrentará acusações iniciais por estupro de vulnerável e homicídio. Novas qualificações penais poderão ser adicionadas conforme o resultado do laudo preliminar do médico-legista e as deliberações da autoridade policial encarregada do inquérito.