Missão em solo asiático atrai bilhões em novos aportes para Goiás

A recente missão oficial realizada pelo Governo de Goiás na Ásia resultou em acordos estratégicos que prometem injetar mais de R$ 8,7 bilhões na economia estadual. Os entendimentos alcançados abrangem a criação de um polo logístico para o setor automotivo, a expansão de montadoras, o avanço na mineração de terras raras e a atração de empresas farmacêuticas e de hospedagem modular.

Novas oportunidades com fundos estrangeiros

O titular da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), Joel Sant’Anna Braga Filho, avaliou a importância de captar capital internacional em um momento econômico desafiador. “Sabemos da importância desses investimentos, principalmente para o próximo ano, que é um ano mais difícil, de juro alto, e os investimentos com dificuldade. O juro está alto e os chineses têm fundos de investimento com juros mais baixos, então para eles há disponibilidade de investir”, disse.

Polo automotivo e central de distribuição

Um dos pontos centrais da agenda ocorreu na sede da multinacional Sinlink, em reuniões voltadas para a instalação de uma central de distribuição de peças automotivas no Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), em Aparecida de Goiânia. A previsão é que o termo de cooperação seja assinado na primeira quinzena de novembro, visando atender a crescente frota de veículos elétricos e a combustão no país.

Sobre a estruturação do projeto, o secretário explicou: “Tivemos reuniões principalmente na área de automóveis. O Brasil vai vender este ano mais de 200 mil carros provenientes da China e a gente está com um grupo de empresários que vai montar aqui em Goiás uma central de distribuição de peças de veículos. Eles já estão com um galpão instalado em Senador Canedo e agora esses fundos chineses vão montar uma estrutura para todas as marcas de carros que já estão no Brasil”, afirmou.

O gestor também destacou a perspectiva de verticalização da produção: “Também há a intenção, com o incentivo do Comexproduzir, até 2032 ainda temos o incentivo fiscal, e com a perspectiva de montarem as fábricas de peças aqui. As fábricas viriam para cá aproveitando os créditos outorgados que o Comexproduzir vem acumulando, trazendo na sequência as fábricas de peças”.

A respeito do ecossistema fabril, complementou: “É um setor gigantesco. A perspectiva é que são quatro indústrias novas, além das que já estão no Brasil. Mais quatro indústrias estão sendo montadas, a GWM, a BYD já está com a indústria aumentando, a Caoa com a Changan, a Omoda também investindo, o grupo Jaecoo Omoda”.

E reforçou o potencial mercadológico goiano: “A gente sabe do mercado gigantesco que Goiás tem para ser um dos fornecedores de peças para o Brasil todo. É um grupo muito grande, já estão fazendo as experiências e faturando por Goiás, já iniciaram com cinco estados e agora estão investindo numa central de distribuição”.

Expansão em Catalão e hospedagem inovadora

Em Catalão, a comitiva acompanhou os planos da GAC para a fabricação do SUV GS3 a partir de 2027, projeto associado a uma joint venture com a HPE Automotores e aporte global estimado em US$ 1,3 bilhão, gerando milhares de vagas de trabalho. Na área de turismo e infraestrutura, parcerias com as companhias Vessel e Volferda e com o Grupo Flamboyant preveem a instalação de mais de 800 módulos de hotéis-cápsula para eventos de grande porte.

Sobre esse modelo construtivo, Joel Sant’Anna detalhou: “A outra reunião grande foi com o pessoal de construtora de módulos modulares, aqueles que fazem as cápsulas para fazer hotel, escola pré-moldada, com toda infraestrutura de modernidade, engenharia, equipamentos, ar-condicionado, tecnologia e computador de última geração. Eles têm a perspectiva de montar um hotel. A gente fez uma reunião lá disponibilizando uma área para montarem um hotel ainda para servir de modelo para o mundo todo ali na região do Flamboyant”.

Saúde, logística e mineração

No segmento de biotecnologia e fármacos, o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) recebeu atenção especial com negociações voltadas para a vinda da Indústria Aulinea. O secretário pontuou: “Outra reunião que a gente teve foi com o setor de fármacos, o pessoal da Indústria Aulinea. É um laboratório que fabrica tanto a parte de hardware como de software e computação para a área de testes e também fabrica os medicamentos e equipamentos e substâncias para fazer testes rápidos, tanto teste de Covid quanto testes de sangue de várias áreas, e eles têm alta resolutividade. Também querem fazer estrutura aqui no Daia plano, que sabem da área principalmente de fármacos e medicamentos que tem aqui em Goiás, com todas as certificações da Anvisa. A gente teve a reunião e eles estão vindo também”.

A chegada imediata de parceiros logísticos também foi enfatizada pelo gestor: “O que já está chegando aqui este final de semana é este grupo do porto de Shenzhen. Eles operam no porto de Shenzhen, a empresa Simtech. É essa estrutura de atacado de peças e também de importação de cápsulas e estruturas metálicas para poder fazer infraestrutura na área de engenharia e construção civil”.

Impacto fiscal e novos insumos

O impacto econômico geral foi resumido pelo titular da pasta: “Aumenta muito a questão de arrecadação de impostos para Goiás, o que é bom para o goiano porque empresas de distribuição geram renda. O laboratório gera emprego, deve gerar aí, mas o importante não é tão na área de emprego, além de ser muito importante, mas a importância é que a gente está trazendo novas empresas num momento em que o Brasil vive incerteza e juro alto, e Goiás está dando exemplo”.

Além disso, o estado se prepara para receber a Indústrias Caroli: “Estamos inaugurando brevemente a Indústrias Caroli, um grupo brasileiro junto com italiano que está chegando na semana que vem para ver as instalações em Anápolis, que já são quase 200 milhões de reais investidos na cidade de Anápolis. Vai ser a primeira grande indústria de oxigênio e hidrogênio do Estado de Goiás”.

Por fim, na etapa final realizada em Pequim, o governo confirmou o interesse de um fundo internacional em destinar R$ 1 bilhão ao projeto Carina, focado na exploração de terras raras em Nova Roma, consolidando o território goiano como referência nacional em minerais críticos e desenvolvimento industrial.

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