Santa Casa de Goiânia comemora 90 anos sem busto de Gercina Borges

A Santa Casa de Goiânia chega aos seus 90 anos enfrentando uma situação incômoda em meio aos preparativos para suas festividades. A instituição realiza uma solenidade comemorativa para marcar sua trajetória, mas o busto de Gercina Borges Teixeira, mulher fundamental para a fundação do hospital, continua desaparecido sem deixar vestígios.

O sumiço da homenagem histórica

Segundo a administração atual, a peça já não estava no local quando a Superintendência-Geral assumiu a gestão em outubro de 2017. O desaparecimento pode ser ainda mais antigo, visto que a nota oficial não esclarece quando o monumento foi retirado, quem o levou ou qual foi o seu destino. Em 2000, o busto original já havia sido alvo de furto, sendo recuperado e devolvido à entrada da unidade na época, mas a trajetória atual das peças permanece envolta em mistério.

O papel decisivo de Gercina na fundação

Gercina não atuou apenas como uma figura figurativa na história da instituição. A partir de 1936, ao lado dos vicentinos, ela articulou doações, reuniu colaboradores e sustentou um esforço coletivo por meio de festas, quermesses e trabalho voluntário para erguer o hospital em uma Goiânia que ainda estava nascendo. O monumento original é atribuído a Zaco Paraná, o mesmo autor do busto de Pedro Ludovico Teixeira instalado no Palácio das Esmeraldas.

A nota oficial da instituição

Procurada para prestar esclarecimentos sobre o sumiço do patrimônio histórico, a administração do hospital enviou um comunicado oficial detalhando a situação da peça e reforçando o tributo prestado à figura histórica:

“A Santa Casa de Misericórdia de Goiânia informa que, desde outubro de 2017, quando a atual Superintendência-Geral assumiu a gestão da instituição, o busto de Dona Gercina Borges Teixeira, que ficava instalado em frente ao hospital, já não se encontrava no local.”

“Desde então, a atual gestão tem buscado informações e procurado localizar o monumento, mas, até o momento, não obteve êxito.”

“A ausência do busto, no entanto, não diminui o reconhecimento e o respeito da Santa Casa à memória de Dona Gercina, cuja contribuição para a história da instituição e da própria capital goiana é de grande relevância. Como primeira-dama do Estado de Goiás, ao lado de seu esposo, o então governador Pedro Ludovico Teixeira, ela teve participação importante na história de Goiânia e na construção de iniciativas voltadas à assistência social e ao cuidado com a população.”

“Sua memória permanece presente na instituição, inclusive por meio do Coral Dona Gercina, que leva seu nome. Em reconhecimento à sua trajetória e à sua contribuição para a fundação da Santa Casa, ela também será homenageada no dia 6 de novembro, durante a programação comemorativa dos 90 anos da instituição.”

“A Santa Casa reafirma, assim, seu respeito à história de Dona Gercina e seu compromisso com a preservação da memória daqueles que ajudaram a construir a instituição.”

A data festiva e as homenagens oficiais mantêm viva a importância da cofundadora, mas cobram da diretoria e dos órgãos competentes uma postura mais transparente para esclarecer o paradeiro do monumento que eterniza sua contribuição em bronze.

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