PF desarticula fraude de R$ 1,4 mi em transporte público no Rio Grande do Sul

Nesta quarta-feira (4.nov.2026), a Polícia Federal deflagrou a Operação Dióscuros para desarticular um esquema criminoso voltado a fraudes em licitações e contratos públicos de transporte de estudantes e de pacientes da rede pública em Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul. As equipes policiais cumpriram um total de 10 mandados de busca e apreensão distribuídos entre os municípios gaúchos de Caçapava do Sul e Bom Retiro do Sul.

Esquema de conluio empresarial e direcionamento

Conforme o avanço das apurações, o esquema era operado por um grupo empresarial composto por indivíduos com ligações familiares e comerciais. Os suspeitos agiam de maneira organizada para dominar as contratações públicas dos serviços de transporte, utilizando diferentes empresas para simular uma disputa real nos processos licitatórios.

Envolvimento de funcionários públicos e falhas na prestação

Os investigadores também examinam a eventual cumplicidade de agentes públicos municipais na facilitação e no direcionamento dos acordos firmados. Paralelamente às fraudes nos certames, a corporação detectou graves desvios na execução prática do transporte de pacientes da saúde pública.

Irregularidades detectadas na frota e nas rotas

Entre os problemas mapeados estão a cobrança por quilometragens acima das reais, a utilização de veículos abaixo do padrão exigido contratualmente e a emissão de cobranças referentes a viagens fantasmas que jamais ocorreram.

Como desdobramento das medidas judiciais, a Justiça ordenou a proibição de comunicação entre os servidores e os empresários sob suspeita, além da retenção de recursos financeiros e o sequestro de 8 automóveis. O dano financeiro causado aos cofres públicos é avaliado em cerca de R$ 1,4 milhão. A corporação ressalta que a fase atual busca colher novas evidências, rastrear outros potenciais participantes e calcular a extensão total dos danos. Os alvos da investigação poderão responder judicialmente por crimes como fraude em licitação, frustração de caráter competitivo, contratação direta ilegal, falsidade ideológica, corrupção passiva e integração de organização criminosa.

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