A rede municipal de ensino de Goiânia passará a contar com o jiu-jítsu como atividade complementar na educação infantil. A sanção da lei ocorreu na terça-feira, 3, pelo prefeito Sandro Mabel (UB), abrindo caminho para que a Secretaria Municipal de Educação (SME) inicie o planejamento estratégico voltado à implantação da modalidade nas escolas da capital.
Origem do projeto e etapas de planejamento
O texto aprovado tem origem no projeto de lei nº 322/2024, que passou por votação definitiva na Câmara Municipal de Goiânia. A autoria da proposta é do ex-vereador Telêmaco Brandão (Novo) e do vereador Igor Franco (Podemos), autorizando o Poder Executivo a inserir a arte marcial na rotina escolar conforme a carga horária e as diretrizes estabelecidas pela SME.
Em entrevista ao Jornal Opção, Roberta Alves da Silva, gerente de Desporto Educacional da SME, afirmou que a pasta já possui um levantamento das escolas que atendem à educação infantil e está avaliando as adequações necessárias. Segundo ela, a implementação deverá ocorrer de forma planejada, considerando as diretrizes curriculares e as particularidades dessa etapa de ensino. “A partir do momento que a lei é instituída, a Secretaria de Educação se movimenta para cumprir”, declarou.
Formação profissional e adaptação pedagógica
De acordo com a gerente, a secretaria pretende retomar o diálogo com as unidades escolares previamente consultadas e estudar a ampliação da iniciativa. Como a sanção ocorreu no início de novembro, a equipe precisará organizar as etapas de implantação e definir quais escolas terão condições de receber as primeiras atividades. “A gente vai começar o estudo para ingressar esse ano e começar com tudo para o ano que vem”, afirmou.
A representante da SME explicou que a implementação poderá começar por algumas unidades, mas ressaltou que a abrangência do projeto dependerá do planejamento da secretaria. “Se a gente tiver que instituir em todas elas, a gente vai instituir em todas elas”, disse. Segundo ela, a oferta da modalidade exigirá adequações pedagógicas para que as aulas sejam compatíveis com a faixa etária atendida.
Capacitação e foco no desenvolvimento infantil
A preparação dos professores é outro ponto considerado essencial pela pasta. A gerente destacou que não basta oferecer aulas de jiu-jítsu: é necessário preparar os profissionais para trabalhar a modalidade de acordo com os objetivos da educação infantil. “A gente precisa qualificar nossos professores”, afirmou. Ela também mencionou a possibilidade de estabelecer parcerias com a área de esporte e lazer para contribuir com a execução do projeto.
A forma de participação dos alunos nas aulas também está entre os pontos que precisam ser definidos. Roberta explicou que, apesar de a lei autorizar a prática como atividade complementar, a secretaria ainda deverá estudar como a modalidade será incorporada às diretrizes pedagógicas da rede municipal.
A gestora ressaltou que a atividade precisa ser adaptada à realidade das crianças, sem reproduzir métodos rígidos de treinamento esportivo. Para ela, os conteúdos devem respeitar as características de cada etapa do desenvolvimento infantil. “Qualquer componente curricular deve ser entendido de acordo com a modalidade”, afirmou, ao comparar o ensino na educação infantil a práticas de aprendizagem que utilizam brincadeiras e experiências lúdicas.
Na avaliação da gerente, a inclusão da modalidade pode contribuir para o desenvolvimento integral das crianças, desde que as atividades respeitem as características e necessidades de cada faixa etária. Ela destacou que a educação física tem papel importante na formação motora e cidadã dos estudantes e defendeu que o conteúdo seja adaptado à realidade da educação infantil.
“Todos os elementos da educação física são relevantes para a formação humana, para a formação motora e para a formação cidadã”, disse. A expectativa da secretaria é avançar no planejamento após a sanção da lei, com a avaliação das unidades, a organização das parcerias e a preparação dos profissionais até a efetivação do projeto nas escolas.