O motorista investigado pela morte de Larissa Pereira Macêdo, de 34 anos, afirmou à Polícia Civil de Goiás que fugiu sem prestar socorro por receio de sofrer agressões. O atropelamento ocorreu no bairro Cidade Vera Cruz I, em Aparecida de Goiânia, e a apuração é conduzida como provável feminicídio.
Depoimento e versão do investigado
Welber Felipe Teodoro, de 27 anos, apresentou-se espontaneamente na delegacia acompanhado de sua defesa. Conforme o relato fornecido às autoridades, ele e a vítima tiveram uma discussão banal após participarem de uma confraternização. O condutor alegou que tentou deixar o local para se distanciar, momento em que Larissa teria se dependurado na porta do veículo em movimento.
“O veículo estava com o vidro fechado. Ele teria avistado quando ela colocou a cabeça ali. Só que, em seguida, ele falou que não a viu mais. E pressupôs, segundo ele, que ela teria se afastado do veículo”, explicou o delegado Eduardo Rodovalho.
Ainda de acordo com a narrativa do suspeito, ele só percebeu a gravidade da situação metros adiante. Ao descer do automóvel, deparou-se com a companheira já ferida. O homem relatou que retirou o corpo da via, abandonou o caminhão logo em seguida e escapou a pé.
“Ele se evadiu a pé do local e abandonou o veículo com receio de ser linchado ou agredido por populares que pudessem ter presenciado a cena. Então, essa é a alegação dele”, afirmou Rodovalho.
Andamento das investigações e apuração de feminicídio
A Polícia Civil agora confronta a versão apresentada pelo motorista com laudos periciais, análises de imagens e o relatório do Instituto de Medicina Legal. Embora parentes tenham relatado que a relação era conturbada, o delegado apontou que não havia boletins de ocorrência anteriores registrados por violência doméstica.
“Não há nada registrado que relate a ocorrência de violência entre as partes. Então, não tem nada registrado, apesar de haver indicações e rumores de que era um casal que tinha um relacionamento mais conturbado”, explicou o investigador.
O caso foi transferido para o Grupo de Investigação de Homicídios. Inicialmente tratada como acidente de trânsito — com relatos de testemunhas sobre agressões físicas prévias —, a ocorrência passou a ser tratada criminalmente com foco em homicídio doloso.
“Quando vem para cá, vem já com a indicação de uma prática de homicídio doloso, porque aqui é um grupo de investigação de homicídios. Então, se fosse um delito de homicídio culposo de trânsito, ele não viria para cá. Quando vem para cá, é para ser tratado como possível prática de homicídio doloso, que seria, nesse caso, uma prática de feminicídio”, detalhou o delegado.
Impacto emocional na família
As autoridades policiais também destacaram o impacto dramático do episódio sobre os familiares, especialmente pelo fato de a filha da vítima ter testemunhado o ocorrido.
“É uma tragédia familiar, de fato, ainda agravada pelo fato de a criança, que é filha dela e enteada do investigado, ter presenciado toda a cena. Isso é algo que, de fato, pode trazer traumas à criança e é realmente uma tragédia social e familiar que acometeu aquela família”, concluiu Rodovalho.