O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli esteve na final da Champions League de 2024 acomodado em um camarote pertencente ao empresário Alberto Leite, dono da FS Security. O confronto decisivo aconteceu no dia 1º de junho, no Estádio de Wembley, em Londres, onde o Real Madrid bateu o Borussia Dortmund por 2 a 0.
Conversas atribuídas a ex-banqueiro
O caso ganhou novos desdobramentos em novembro de 2026 após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com os registros vazados pelo site MasterWhats em 3 de novembro de 2026, Toffoli teria recorrido a Vorcaro para conseguir dois ingressos para a semifinal entre Real Madrid e Bayern de Munique, disputada em 8 de maio de 2024, em Madri.
O diálogo em questão aconteceu em 30 de abril de 2024 entre o banqueiro e Ana Matos, que atuava como superintendente de comunicação e marketing do Banco Master. Na ocasião, a funcionária comunicou que o magistrado solicitou auxílio para obter as entradas, ao que Vorcaro respondeu que conseguiria os convites. Cabe destacar que o material divulgado não traz comprovação sobre a compra, entrega ou utilização efetiva dos bilhetes, tampouco aponta quem realizou o pagamento por eles.
Conexões em Londres e patrocínio
Alberto Leite comanda a FS Security, voltada ao setor de segurança digital, e atuou como patrocinador do 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em solo britânico em abril de 2024. A conferência reuniu figuras de destaque da República, como os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do então procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Embora tenha confirmado o encontro com o magistrado e chegado a publicar uma fotografia ao lado dele nas redes sociais — imagem posteriormente apagada —, Leite negou ter convidado o ministro para a final da Champions. Por sua vez, Toffoli afirmou publicamente que arcou com os custos de passagens, hospedagem e consumo durante a viagem.
Gastos com segurança e posicionamento oficial
A viagem também gerou custos para os cofres públicos com proteção institucional. Dados levantados pela Folha de S.Paulo apontam que o STF gastou cerca de R$ 39 mil em diárias internacionais destinadas a um agente que escoltou o ministro entre os dias 25 de maio e 3 de junho de 2024.
A Suprema Corte pontuou que não efetuou o pagamento de passagens ou diárias ao integrante da corte. Sobre os valores direcionados ao segurança, o tribunal justificou a medida como protocolo padrão para a salvaguarda de ministros e ressaltou que todas as quantias encontram-se abertas à consulta pública no Portal da Transparência.
Em fevereiro de 2026, Toffoli negou possuir amizade íntima com Vorcaro, reiterando que jamais aceitou recursos financeiros do banqueiro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Na mesma oportunidade, o magistrado admitiu ter integrado o quadro societário da Maridt Participações, empresa ligada ao Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), cuja fatia foi comercializada em duas fases (setembro de 2021 e fevereiro de 2025), sendo uma delas negociada com o fundo Arleen, cujo único cotista era Fabiano Zettel.