O debate sobre mudanças estruturais no país ganhou força com a manifestação de Éden Valadares, secretário de comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista nesta quinta-feira (5), o dirigente defendeu publicamente uma ampla reforma do Judiciário e a implementação de um código de ética específico para os magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF).
Críticas à atuação de parentes e controle salarial
Durante a entrevista, o representante petista enfatizou que “não é razoável normalizar” a prática da advocacia por familiares de ministros que exercem funções em tribunais superiores. A discussão traz para o centro do debate político a transparência e os limites de atuação no sistema de justiça brasileiro.
O dirigente recordou que o país passou por mudanças estruturais no setor durante a primeira gestão presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, avaliou que o momento atual exige novas medidas de controle rigoroso sobre os órgãos públicos.
Conforme declarou o secretário, “Nós já tivemos uma reforma [do Judiciário] no primeiro governo Lula, mas agora precisamos de outra, que e estabeleça um código de ética para a magistratura, para o Ministério Público, que a gente tenha um controle maior sobre o teto dos salários. Não é possível que tantos agentes públicos construam atalhos para furar o teto constitucional”.
Necessidade de regulação das plataformas digitais
Além das alterações no sistema de justiça, o plano defendido pelo membro da cúpula petista abrange transformações na política, na comunicação e no ambiente digital. Para ele, torna-se imprescindível estabelecer regras claras para o funcionamento das redes sociais e das grandes empresas de tecnologia.
Segundo o posicionamento do dirigente, essas corporações “hoje concentram uma capacidade de manipulação e de poder sobre as decisões individuais e coletivas da sociedade muito grande, que transcende os estados-nações, que transcende as constituições e que se colocam acima do interesse público, como nós denunciamos na campanha de não isonomia no período eleitoral”.
Proteção contra interferências em pleitos eleitorais
O debate sobre o papel das empresas de tecnologia ganhou relevância nos preparativos para o segundo turno das eleições de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve diálogos com companhias como Google e Meta para debater a conduta dessas ferramentas durante o período de votação.
Para o representante do partido, o processo democrático nacional necessita de blindagem contra interferências externas e abusos do poder econômico privado.
Conforme reforçou Éden Valadares, “A sociedade brasileira não pode estar à mercê dos interesses privados de grandes empresas transnacionais”.