Uma reportagem revelou que Santiago Caputo, conselheiro estratégico do presidente argentino Javier Milei, teve papel central na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do território argentino rumo a Miami. O episódio teria ocorrido em 27 de outubro, apenas dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, período em que o senador enfrentava o bloqueio de seus documentos de viagem devido a apurações conduzidas pela Justiça brasileira.
Logística na fronteira e destruição de provas
Conforme os relatos, Caputo deslocou-se de Buenos Aires até o aeroporto de Puerto Iguazú na véspera da chegada da família Bolsonaro. No local, o assessor teria coordenado a celeridade nos trâmites migratórios e a liberação de um voo fretado. Testemunhas afirmam que, logo após a decolagem da aeronave nas primeiras horas da quarta-feira, o conselheiro ordenou que um agente policial local deletasse as gravações de segurança que registravam a movimentação na pista.
Detalhes da operação e suporte internacional
A operação logística envolveu o aluguel de um jato executivo da empresa Baires Fly por 150 mil dólares, com a intermediação de um corretor. O plano de voo contou com um salvo-conduto emitido pelo governo dos Estados Unidos, o que permitiu a entrada de Flávio Bolsonaro no país mesmo com seus passaportes brasileiros cancelados. Além disso, integrantes da Casa Branca teriam colaborado para garantir a viabilidade da aeronave que realizou o trecho final até solo norte-americano.
Versões conflitantes e repercussão diplomática
Embora a denúncia detalhe o apoio logístico, as partes envolvidas apresentaram narrativas distintas. Flávio Bolsonaro afirmou ter viajado por meios próprios e declarou não conhecer o assessor argentino, embora tenha expressado agradecimentos públicos à gestão de Javier Milei pela postura adotada.
Do lado argentino, Caputo e o Ministério das Relações Exteriores negaram qualquer envolvimento oficial no caso, apesar de aliados do governo terem celebrado o desfecho da viagem nas redes sociais. O incidente provocou um atrito diplomático entre Brasília e Buenos Aires, resultando na convocação do encarregado de negócios argentino para prestar esclarecimentos ao governo brasileiro.