O ativista pró-democracia Joshua Wong teve sua pena de prisão ampliada nesta quinta-feira (5), após um tribunal de Hong Kong aplicar uma sentença de 10 anos devido a uma segunda condenação baseada na rígida Lei de Segurança Nacional. O caso marca um novo capítulo na repressão contra figuras políticas que ganharam destaque durante os protestos de 2019.
Conspiração e lobby internacional
A condenação recente baseia-se na acusação de que Wong teria conspirado com outros ativistas para solicitar sanções estrangeiras contra a China e Hong Kong ainda em 2020. Segundo a promotoria, o ativista realizou campanhas em redes sociais e manteve encontros com políticos americanos, como a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o atual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visando pressionar o governo chinês.
Em setembro, ao se declarar culpado pela acusação, o ativista enfrentou o rigor da legislação imposta por Pequim. As autoridades locais sustentam que a medida foi necessária para conter a dissidência e restaurar a ordem na ex-colônia britânica. Sobre a natureza das acusações, um porta-voz do governo de Hong Kong defendeu a postura oficial:
“O exercício legítimo da liberdade de expressão não deve ser confundido com atos de conluio com um país estrangeiro para impor ‘sanções’ que visem prejudicar a própria nação”
Histórico do ativista
Wong tornou-se uma figura central do movimento pró-democracia ainda na adolescência. Sua primeira entrada no sistema prisional ocorreu aos 23 anos, e ele completou 30 anos no último mês. Atualmente, ele já cumpria uma pena de 4 anos e 8 meses relacionada a um processo anterior por subversão, com previsão inicial de soltura para janeiro.
Impacto da Lei de Segurança Nacional
Desde a implementação da lei em 2020, o cenário político em Hong Kong sofreu mudanças drásticas. O fechamento de veículos de imprensa críticos e a dissolução de grupos civis tornaram-se comuns, sob a justificativa oficial de garantir a estabilidade. Por outro lado, grupos de direitos humanos argumentam que a legislação sufocou qualquer voz opositora. Líderes chineses, por sua vez, não hesitam em classificar ativistas como Wong como “separatistas”, consolidando a postura de endurecimento do governo central frente a qualquer forma de crítica externa ou interna.