A Axia reportou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no terceiro trimestre, um resultado que marca a reversão do prejuízo de R$ 5,45 bilhões contabilizado no mesmo período do ano passado, quando os números foram impactados pela venda da Eletronuclear. Em termos de lucro IFRS ajustado, a companhia alcançou R$ 1,76 bilhão, o que representa um recuo de 19% frente ao ano anterior, acompanhando uma queda de 23% no Ebitda IFRS ajustado.
Desempenho operacional e Ebitda
Nos indicadores regulatórios, a empresa apresentou um cenário positivo. O Ebitda ajustado atingiu R$ 6,92 bilhões entre julho e setembro, uma expansão de 8,4% na comparação anual. Esse avanço foi sustentado por uma combinação de fatores: redução de custos e despesas (PMSO), ganhos em participações societárias e, principalmente, uma melhora nas margens de contribuição das operações de geração e transmissão de energia.
Geração e transmissão impulsionam resultados
O segmento de geração registrou uma alta de 10,6% na sua margem de contribuição, totalizando R$ 1,75 bilhão. Esse desempenho foi favorecido pelo aumento nas vendas no mercado livre (ACL), onde o preço médio do MWh subiu mais de 18%, atingindo R$ 196. A Axia destacou que a comercialização no ACL superou a energia liquidada no mercado de curto prazo, onde o PLD — preço que reflete variações hidrológicas e maior volatilidade — apresentou queda frente ao ano anterior.
Já na área de transmissão, a margem de contribuição cresceu 8,3%, somando R$ 4,5 bilhões. O incremento reflete a recomposição da receita anual dos ativos após a finalização de investimentos previstos no ciclo tarifário passado. Ao todo, a companhia investiu R$ 2,86 bilhões no trimestre, um aumento de 5,7% em relação aos aportes realizados no terceiro trimestre de 2025.
Gestão de passivos e empréstimo compulsório
A companhia também avançou na redução de seu passivo relativo ao empréstimo compulsório. O estoque de provisões caiu para R$ 10,6 bilhões, uma redução de R$ 1,1 bilhão em doze meses, impulsionada por acordos judiciais. Sobre a estratégia de redução de passivos, a empresa explicou: “A carteira remanescente (de passivos do compulsório) passou a apresentar menor ticket médio por processo, mais pulverizada e com risco de valor diluído, pois foram encerrados a maior parte dos processos com impactos unitários expressivos, em especial por meio de acordos celebrados”.