O tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde para a fusão global entre a Subsea7, da Noruega, e a italiana Saipem. O negócio, estimado em US$ 4,6 bilhões, foi aprovado sob condições rígidas: para que a operação seja concretizada, a nova entidade deverá obrigatoriamente alienar um navio utilizado em operações de exploração de petróleo em águas profundas.
Impacto na infraestrutura submarina
A união das duas gigantes cria uma das maiores potências mundiais no segmento de infraestrutura submarina. Ambas as companhias são referências em engenharia e construção no leito oceânico, atendendo majoritariamente ao setor de petróleo e gás natural. A conclusão do negócio está condicionada à venda da embarcação, processo que será monitorado de perto pela área técnica do órgão regulador.
Preocupações da Petrobras e setor
A operação enfrentou forte resistência da Petrobras e de outras petroleiras, como ExxonMobil e TechnipFMC. A estatal brasileira argumentou que o controle de uma frota estratégica para o pré-sal — composta por navios capazes de instalar dutos e cabos a mais de 2 mil metros de profundidade — estaria concentrado demais. Segundo a petroleira, a escassez de fornecedores globais com capacidade técnica semelhante poderia elevar os custos operacionais e reduzir a competitividade em um momento de expansão dos investimentos no Brasil.
Análise da relatora e risco de preços
A relatora do caso, a conselheira Camila Alves, identificou que, em certas licitações da Petrobras, as duas empresas juntas chegavam a deter até 60% de participação. O tribunal entendeu que a união, sem as devidas salvaguardas, prejudicaria a pressão competitiva.
De acordo com a análise do Cade, mesmo a Petrobras, que domina o mercado brasileiro, poderia pagar mais caro ao negociar com a nova empresa. A existência de outros fornecedores no exterior não basta para afastar o risco, já que a disputa depende de navios específicos disponíveis no prazo de cada projeto.
A decisão final do tribunal divergiu do parecer inicial da Superintendência-Geral do Cade, que havia recomendado a aprovação sem ressalvas. Agora, a fusão, que possui alcance global, segue aguardando o crivo final de autoridades antitruste em outras jurisdições, incluindo a União Europeia e os Estados Unidos.