O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira (5/11), que realizará nos próximos dias uma agenda de escuta com opiniões sobre propostas para melhorar a situação fiscal do país. Os encontros serão com economistas, sociedades civil e agentes do mercado. A declaração ocorreu após uma reunião ministerial que debateu a situação fiscal brasileira.
Diálogo com o mercado e sociedade
As ideias para melhora nas contas públicas serão apresentadas ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no retorno da viagem para a Conferência das Partes (COP31), na Turquia, na próxima semana. Enquanto o chefe do Executivo estiver fora, o titular da Fazenda fará uma série de consultas para encontrar uma solução viável.
“Nós estamos cumprindo etapas. Vou seguir nessa escuta durante a viagem do presidente”, disse o ministro.
Formatação das contas públicas
O trabalho de formatação das propostas para o aprimoramento do orçamento ficará concentrado nas mãos de Durigan e de Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento. O plano buscará respeitar as promessas eleitorais voltadas às parcelas mais vulneráveis da população, além de garantir o reforço das regras vigentes de controle dos gastos.
“A mensagem mais importante é que quem investe nesse país não vai ter nenhuma dificuldade quanto a previsibilidade”, disse.
Pressão econômica e câmbio
A movimentação do governo federal para revisar o Orçamento começou logo após o resultado do segundo turno. Desde então, o mercado financeiro registrou forte volatilidade, com queda expressiva na bolsa de valores e alta na cotação do dólar, que alcançou R$ 5,49 na tarde desta quinta-feira.
A decisão recente do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano adicionou pressão sobre a gestão federal, com forte atenção voltada para a trajetória das contas públicas.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz trecho do comunicado do Copom.
Todas essas movimentações e ajustes no Orçamento de 2027 são fundamentais para que a administração federal consiga cumprir o centro da meta fiscal estipulada, que prevê um superávit primário de R$ 73,2 bilhões, montante equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).