As contas de luz no Brasil devem registrar uma queda média de 2% em âmbito nacional a partir de 2027, conforme apontam as projeções da consultoria Thymos Energia. Contudo, essa retração tarifária não será sentida de maneira igual em todo o território nacional, com disparidades acentuadas entre as diferentes regiões do país.
Diferenças regionais nas tarifas de energia
O alívio na fatura será puxado principalmente pelas regiões Sul e Sudeste. Os consumidores paulistas e mineiros, por exemplo, devem observar um recuo de cerca de -5% nos valores. O cenário é ainda mais favorável para os estados sulistas, que podem esperar uma retração estimada em -7,5%, enquanto o Centro-Oeste deve apresentar estabilidade, registrando -0,66%.
Essa tendência de baixa está atrelada à diminuição de encargos tarifários voltados ao subsídio de energias renováveis, como solar e eólica, além de impactos positivos vindos da usina hidrelétrica de Itaipu.
Aumento expressivo no Norte e Nordeste
Em sentido oposto, as regiões Norte e Nordeste caminham para um encarecimento no preço da eletricidade. O território nortista tem alta projetada de 1,29%, ao passo que os nordestinos enfrentarão um salto expressivo de 9,5% nas cobranças.
A virada no cenário ocorre por conta de uma legislação de 2025 que permitiu a hidrelétricas antigas anteciparem o pagamento de outorgas, funcionado como um royalty. Essa manobra injetou recursos que baratearam artificialmente a energia no Norte e no Nordeste durante o ano de 2026. Com o fim desse efeito em 2027, os preços retornam aos patamares anteriores.
Contexto econômico e impacto social
A projeção de alívio geral na média brasileira surge em um momento delicado para a economia, com o Banco Central apontando estimativas de inflação acima do teto da meta. “A gente tem uma contribuição positiva do setor elétrico com quedas na média de 2% no âmbito nacional das contas de luz”, afirmou o diretor editorial Daniel Rittner.
Apesar da média nacional positiva, especialistas alertam que a população de menor renda será a mais penalizada, visto que o encarecimento incidirá justamente sobre o Norte e o Nordeste, onde o orçamento doméstico é mais vulnerável a oscilações. “O fato de ter trazido alívio em 2026 e voltar a cobrar a tarifa em 2027 não existe essa compreensão no orçamento das famílias”, pontuou a âncora Thais Herédia.