Investidores estrangeiros retiram R$ 8,4 bi da Bolsa após eleição

O mercado de capitais brasileiro enfrenta um cenário de forte pressão vendedora. Desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 8,4 bilhões da Bolsa de Valores nacional até o dia 3 de novembro.

O início da debandada de capital

Embora o volume de saídas tenha se intensificado após o pleito, a tendência de desinvestimento teve início antes da votação final. O fluxo negativo começou no dia 22 de outubro, momento em que as pesquisas de intenção de voto apontavam um estreitamento na distância entre o candidato petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao contabilizar os oito pregões seguidos de resgates desde aquela data, o montante total de capital estrangeiro que deixou o país chega a R$ 12,4 bilhões. Além do capital externo, os investidores institucionais brasileiros também adotaram uma postura cautelosa, retirando cerca de R$ 4,8 bilhões no mesmo intervalo.

Impacto no Ibovespa e instabilidade cambial

A volatilidade provocada por esse movimento impactou diretamente o Ibovespa, que registrou quedas expressivas. No dia 26 de outubro, o principal índice da Bolsa brasileira recuou 13,88% em um único dia, marcando a terceira maior baixa diária desde o ano 2000 e acionando o circuit breaker para conter o pânico nas negociações. Somente na quarta-feira (4) o mercado demonstrou uma reação, com alta de 1,23%, encerrando uma série de seis quedas consecutivas.

Mudança na visão das corretoras

A instabilidade não se limitou ao mercado acionário. No mês de outubro, o dólar acumulou uma valorização de 7,1%, enquanto os juros futuros de longo prazo ultrapassaram a marca de 15,3% ao ano. Diante desse cenário macroeconômico, a XP Investimentos optou por rebaixar sua recomendação para as ações brasileiras, passando de otimista para neutra. A instituição justificou a decisão citando receios com a inflação, o patamar elevado dos juros e as incertezas em relação à política fiscal do país.

O cenário atual reflete a cautela do mercado financeiro diante das perspectivas econômicas futuras, com o setor produtivo e financeiro monitorando de perto os próximos passos da gestão governamental para tentar reverter a trajetória de desvalorização dos ativos.

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