Uma parcela expressiva de 85% dos municípios brasileiros sofreu impactos diretos de eventos climáticos severos nos últimos anos. O diagnóstico foi apresentado por Marcio Leão Coelho, secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, durante o evento CNN Talks – A Economia da Transição, realizado nesta quinta-feira (5).
Urgência na resposta às mudanças climáticas
Diante da recorrência de secas e enchentes, o gestor ressaltou a necessidade de uma atuação ágil por parte dos governos municipais. “Alguma coisa tem que ser feita e tem que ser feita rápido”, afirmou o secretário durante debate sobre saneamento e adaptação climática. O governo federal tem buscado auxiliar as prefeituras por meio de aportes financeiros voltados ao mapeamento de áreas de risco, projetos de mitigação e ações de prevenção.
O desafio dos projetos e a execução de obras
Embora os recursos estejam disponíveis, a transformação desse capital em infraestrutura real enfrenta barreiras técnicas. Segundo o secretário, a falta de projetos bem estruturados impede que muitos municípios acessem as verbas federais. O Novo PAC, por exemplo, abriu processos seletivos para o recebimento de propostas, mas a elaboração de planos técnicos ainda é um obstáculo significativo para as gestões locais.
Burocracia e entraves licitatórios
Além da dificuldade na formulação de propostas, o processo de contratação e licitação é apontado como um fator que retarda a entrega das obras à população. Para contornar esses atrasos, o Ministério das Cidades planeja implementar medidas que facilitem o acesso às verbas e auxiliem as prefeituras na celeridade da execução dos projetos.
O governo federal já investiu mais de R$ 23 bilhões em sistemas de drenagem e cerca de R$ 4 bilhões em obras de contenção de encostas. Na avaliação de Marcio Leão Coelho, é fundamental que o planejamento urbano atual já contemple os riscos futuros das mudanças climáticas. O objetivo é que as cidades deixem de atuar apenas em regime de resposta a desastres e passem a priorizar medidas preventivas, garantindo maior resiliência contra novos eventos extremos.