O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que a decisão de deixar o Brasil partiu exclusivamente dele e de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Em entrevista concedida ao jornal The New York Times, o parlamentar afirmou que levará os pormenores da operação de sua saída do território nacional “para o túmulo”.
Contexto da saída do país
A movimentação ocorreu logo após a Polícia Federal solicitar a entrega de seus passaportes, em meio às investigações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o senador, a decisão não foi planejada antecipadamente. Ao ser notificado, ele relata uma conversa com o pai: “Ele olhou nos meus olhos e disse: ‘Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?'”. Flávio afirma ter respondido: “’Estou preparado, sei o que tenho que fazer.’ Virei as costas e fui embora”.
O parlamentar reforçou que não compartilhou o plano de fuga com o ex-presidente e negou apoio logístico de terceiros. Embora admita contar com aliados no exterior, ressaltou que “pode ter havido uma torcida, mas nada além disso”.
Críticas ao Judiciário e questionamentos eleitorais
Durante a entrevista, o senador manteve o discurso de oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF), classificando a corte como “politicamente motivada”, com foco especial no ministro Alexandre de Moraes. Atualmente, o senador é alvo de três inquéritos, que apuram, entre outros pontos, irregularidades no financiamento do filme Dark Horse e suspeitas de lavagem de dinheiro.
Flávio também insistiu na tese de que perdeu o pleito de 2022 “para o sistema”, alegando que o resultado foi “matematicamente impossível”. Mesmo diante do reconhecimento da lisura das urnas por observadores internacionais e pelo próprio PL, ele mantém a postura crítica. Sobre a possibilidade de reverter judicialmente o resultado, o senador admitiu que a chance de sucesso é pequena, mas concluiu: “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado”.
Projeções políticas e vida nos EUA
Vivendo atualmente nos Estados Unidos, o senador afirma que a estadia é temporária e que a família aguarda um momento para retornar. Apesar das incertezas sobre o futuro, ele não descarta novos projetos eleitorais: “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”.
Sobre a relação com o ex-presidente americano Donald Trump, Flávio afirmou que a não interferência de Trump nas eleições brasileiras “é a coisa certa a fazer”, agradecendo pela acolhida no país enquanto articula pautas conservadoras, como a redução da maioridade penal e a defesa dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.