O presidente de Israel, Isaac Herzog, encerra nesta quinta-feira (5) a série de reuniões com os líderes das legendas que garantiram assentos no Knesset. O objetivo das consultas é definir qual parlamentar receberá a missão de articular a formação de um novo governo, em um processo que busca superar o impasse político instalado após o pleito realizado em 27 de outubro.
Cenário de incerteza política
As negociações ganharam ritmo oficial na quarta-feira (4), quando o juiz Noam Sohlberg, presidente da Comissão Central de Eleições, entregou os dados certificados do pleito ao chefe de Estado. Apesar da oficialização, o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e seu partido, o Likud, mantêm contestações sobre os resultados. O cenário pós-eleitoral é marcado pela ausência de um vencedor claro e pela necessidade de semanas de tratativas para viabilizar uma coalizão majoritária.
Investigações e o papel da presidência
Mesmo com denúncias de irregularidades sendo apuradas por autoridades locais, não há evidências de que a lisura do processo tenha sido comprometida em larga escala. Diante das alegações, o presidente Isaac Herzog pediu paciência e declarou: “Herzog pediu paciência diante das alegações e afirmou confiar no trabalho das autoridades responsáveis pela investigação.”
O desafio para evitar novas eleições
O prazo total para a formação de um gabinete é de aproximadamente 100 dias. Caso as tentativas de coalizão fracassem, o país pode ser convocado novamente às urnas. Preocupado com a estabilidade institucional, o presidente já havia sinalizado sua posição na semana passada: “Herzog afirmou na quarta-feira (28) que tudo deve ser feito para evitar uma nova eleição e pediu aos partidos que participarem das consultas com ele com a mente aberta.”
Possíveis caminhos para a coalizão
O futuro governo depende de cálculos complexos. Embora Netanyahu possua a maior bancada, ele enfrenta dificuldades para recompor sua base aliada tradicional. Por outro lado, o rival Gadi Eisenkot, do partido Yashar, aparece com chances reais de apoio parlamentar, dependendo, contudo, de uma articulação delicada com legendas árabes — uma estratégia que enfrenta resistência interna devido à polarização política acentuada desde os conflitos iniciados em outubro de 2023.
O sistema parlamentar israelense exige que o nome indicado por Herzog consiga a maioria no Knesset. Caso os blocos de centro, direita e as facções menores não cheguem a um acordo de unidade, o país seguirá em um período de instabilidade, onde a habilidade política de figuras como Netanyahu — conhecido por atrair desertores da oposição — poderá ser testada mais uma vez.