Santa Catarina acelera obras de prevenção contra o El Niño 2026

Diante do histórico recente de tragédias e do impacto severo previsto para o El Niño 2026, o estado de Santa Catarina corre contra o tempo para viabilizar infraestruturas de proteção contra enchentes e temporais. Na última semana, o território catarinense registrou a passagem de dois tornados, resultando em quatro municípios em situação de emergência, dezenas de feridos e quase 50 mil afetados pelas intempéries climáticas.

Parceria privada viabiliza projeto milionário

Para evitar prejuízos ainda maiores, o setor produtivo assumiu a frente de obras estruturantes. O Instituto +BC, mantido por mais de 40 empresas, investiu R$ 400 mil para atualizar em apenas dois meses o projeto do Parque Inundável do Rio Camboriú. A iniciativa vai beneficiar diretamente mais de 275 mil habitantes nos municípios de Camboriú e Balneário Camboriú, localizados no litoral norte catarinense.

Com a documentação técnica atualizada a tempo, a Prefeitura de Balneário Camboriú conseguiu habilitar o pleito para acessar R$ 73 milhões em recursos do Novo PAC, programa federal de investimentos voltado à modernização da infraestrutura regional.

Como vai funcionar o Parque Inundável do Rio Camboriú

A intervenção planejada tem como objetivo principal regularizar a vazão do rio tanto em períodos de estiagem quanto na retenção do volume excedente durante tempestades severas. O projeto prevê a construção de uma barragem com cerca de 1,6 quilômetro de extensão e até 7,6 metros de altura, criando um reservatório capaz de armazenar entre 2 e 3 bilhões de litros de água. Além da segurança hídrica e contra inundações, a área no entorno receberá revitalização ambiental, ciclovias e espaços públicos de lazer.

O gargalo dos projetos técnicos

Para Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, o investimento em planejamento é fundamental para que projetos dessa dimensão possam avançar. “Tínhamos apenas 60 dias para atualizar os estudos e não poderíamos perder a oportunidade de buscar recursos federais por falta de documentação técnica. O Instituto assumiu esse custo porque entendemos que obras estruturantes precisam de projetos bem elaborados e condições para que o poder público possa executá-los”, afirma.

O dirigente reforça que a atuação do grupo visa preencher uma lacuna histórica na administração municipal. “A falta de projetos técnicos bem feitos é hoje o principal gargalo das prefeituras para buscar recursos e tirar obras importantes do papel. Foi para contribuir nesse sentido que o Instituto foi criado. No caso do Parque Inundável, estamos falando de uma intervenção que poderá proteger a população das enchentes e garantir maior segurança no abastecimento de água nas próximas décadas”, destaca Gracher.

O alerta para a urgência dessas intervenções é corroborado por dados oficiais. Conforme a nota técnica nº 2/2025 do Cemaden, 218 dos 295 municípios catarinenses — o equivalente a quase 80% do território estadual — encontram-se em áreas de alta suscetibilidade a enxurradas e inundações, exigindo prioridade absoluta nas políticas de gestão de riscos.

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