A Assembleia de Deus Ministério Fama, localizada em Goiânia, informou publicamente que está acompanhando “de perto” as graves denúncias de abuso sexual direcionadas a um pastor que liderava o departamento de jovens da instituição. O religioso foi formalmente afastado de suas funções eclesiásticas após relatos de mulheres que o acusam de crimes como estupro, importunação sexual, assédio e violência psicológica.
Reunião extraordinária e desligamento imediato
Conforme os dados divulgados pela própria igreja, a decisão pelo afastamento ocorreu na terça-feira (3), às 21h, durante um encontro de caráter extraordinário convocado pelo presidente do Ministério Fama. A mesa de deliberação contou com a presença de pastores da diretoria e líderes da Rede da Juventude da sede.
A cúpula da denominação destacou que o desligamento aconteceu logo após fatos considerados graves chegarem ao conhecimento da administração. O religioso perdeu o comando do departamento jovem e foi retirado de todas as atividades pastorais.
Em nota oficial publicada nesta sexta-feira (6), a igreja reforçou seu posicionamento institucional:
“Ressaltamos que a igreja está acompanhando o caso de perto e tomando todas as providências cabíveis, com a devida seriedade e responsabilidade”
Apesar da manifestação, o comunicado não revelou a identidade do pastor investigado, não especificou os detalhes das denúncias e omitiu se o caso foi reportado formalmente ao Ministério Público ou à Polícia Civil.
Relatos de vítimas e manipulação religiosa
O escândalo veio a público após a influenciadora Bruna Suyane publicar um vídeo expondo que também foi alvo de condutas impróprias por parte do líder religioso.
“Eu fui uma das vítimas. Ele me tocou inapropriadamente. Quando fui questionar, me disseram que era excesso de carinho, porque ele me amava como um pai ou como um filho”, declarou.
A influenciadora relatou ainda que outras fiéis sofreram abordagens criminosas durante atendimentos no gabinete pastoral, sendo induzidas a tirar as roupas para exames corporais ou a tocar nas partes íntimas do acusado. De acordo com os relatos, o pastor utilizava a autoridade espiritual para manipular as vítimas e exigir submissão.
Investigação policial e acusação de acobertamento
Até o momento, quatro mulheres já registraram boletim de ocorrência contra o religioso, incluindo Bruna e outras três denunciantes que compareceram à delegacia. Além das agressões, o grupo acusa pessoas ligadas à instituição de tentarem silenciar as vítimas e abafar a repercussão do caso.
Posicionamento e desdobramentos
A nota oficial emitida pela Assembleia de Deus não comentou as acusações de tentativa de acobertamento e tampouco esclareceu se a diretoria tinha ciência prévia das condutas do pastor. O investigado não foi encontrado para apresentar sua defesa, e as denúncias seguem sob apuração das autoridades competentes.