Após sediar a COP30 em Belém, no Pará, o Brasil se prepara para a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá em Antália, na Turquia. O principal obstáculo será consolidar o protagonismo internacional do país na pauta ambiental e converter metas globais em ações práticas.
O papel do plano clima e a prevenção a desastres
Especialistas debateram o cenário nacional durante o evento do CNN Talks – A Economia da Transição, realizado nesta quinta-feira (5). Na ocasião, apontou-se que o território brasileiro possui vantagens significativas tanto na transição energética quanto na formulação de estratégias de adaptação climática.
Regina Alvalá, diretora do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), ressaltou os progressos na criação do Plano Clima. “O Brasil fez um trabalho muito importante e relevante a partir desses últimos quatro anos, mas que se consolidou depois da COP30 aqui no Brasil, que foi o Plano Clima. É indiscutivelmente um plano extremamente robusto, com muitas metas e ações”, afirmou a diretora.
A necessidade de resposta aos eventos extremos
A gestora também enfatizou que o país precisa intensificar a preparação contra enchentes, secas e incêndios, cujos reflexos afetam a saúde pública e a produção de energia. Para mitigar esses danos, investimentos contínuos em pesquisas tornam-se indispensáveis.
Transição energética e desenvolvimento industrial
Para Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ e integrante do Observatório do Clima, o país precisa mudar sua postura internacional, destacando-se como fornecedor de tecnologias e não apenas de recursos básicos. “A primeira coisa é a gente, como sociedade brasileira, realmente se convencer de que nós somos bons nesse negócio”, declarou.
A matriz energética nacional, rica em fontes renováveis como solar e eólica, serve de base sólida. Contudo, o desafio reside em converter esse diferencial em progresso econômico. “A industrialização dessa vantagem comparativa parte por financiamento, capacidade tecnológica. (…) A gente tem que colocar todas as nossas forças, Executivo federal, estadual e municipal, para que a gente se venda lá fora como capaz de ser um provedor de soluções, mais do que um exportador de matéria-prima de baixo processamento”, explicou a especialista.
Justiça ambiental e participação da sociedade
A efetividade das medidas climáticas também passa pela inclusão social. Pedro Roberto Jacobi, coordenador do GovAmb (Grupo de Pesquisa em Governança Ambiental) da USP, defendeu que a mudança estrutural precisa priorizar a equidade. “A primeira palavra que eu utilizaria é que a transição seja justa, ou seja, uma transição ambiental, energética, justa”, pontuou.
O professor destacou ainda que prefeituras de diversas regiões enfrentam dificuldades operacionais. “Boa parte dos municípios brasileiros não tem recursos humanos com a qualificação para enfrentar esses problemas”, alertou, reforçando a urgência de capacitação técnica local.