Lula muda discurso e prega responsabilidade fiscal em aceno ao mercado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura de maior proximidade com o mercado financeiro diante de semanas seguidas de forte pressão por garantias de equilíbrio nas contas públicas. Os investidores reagiram negativamente ao resultado das eleições presidenciais, provocando uma onda de índices negativos desde a confirmação da vitória do petista.

Impactos na economia e juros altos

Durante esse período de instabilidade, a bolsa de valores acumulou uma queda superior a 30 mil pontos. No câmbio, a moeda norte-americana, que operava abaixo de R$ 5, registrou forte alta e fechou a quinta-feira cotada a R$ 5,48. Paralelamente, o Comitê de Política Monetária do Banco Central optou por congelar a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, interrompendo a sequência de reduções e apontando a política fiscal como motivadora da cautela.

O papel da taxa Selic

A taxa básica de juros funciona como o principal mecanismo para conter a inflação. Composta por integrantes que avaliam cortes, manutenções ou altas, a autarquia busca frear o avanço generalizado de preços. Quando os juros sobem, o esperado é a retração no consumo e nos empréstimos, resultando em menor atividade econômica e contenção de valores para o consumidor final.

Reunião ministerial e novos gestos

Diante do cenário adverso, o chefe do Executivo abordou o assunto publicamente em encontro realizado no Palácio do Planalto. Sem menções diretas às rusgas com os investidores, ele pontuou a exigência de “seriedade” e prudência legal e orçamentária para atrair aportes financeiros ao país, ressaltando que a captação de recursos demanda uma “economia arrumada”.

“Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, declarou o presidente.

Reuniões sem anúncio imediato

Para tentar aplacar os ânimos, o governo promoveu encontros com ministros e especialistas econômicos para debater alternativas para as contas do Estado. Estiveram na mesa o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan, Bruno Moretti, Esther Dweck e o dirigente do BNDES, Aloizio Mercadante, além de ex-integrantes da pasta da Fazenda e economistas convidados.

Apesar das conversas, o grupo encerrou os debates sem uma deliberação final. Novas rodadas de diálogo com representantes da sociedade e agentes financeiros devem ocorrer para formular propostas. Enquanto isso, o anúncio de eventuais medidas concretas ficará posposto para o retorno da viagem internacional que o mandatário fará à Turquia e às Filipinas, com regresso previsto para o dia 16.

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