Fim da escala 6×1 pode encurtar horário de supermercados no país

O encerramento antecipado das atividades de supermercados e atacarejos a partir de 2027 surge como uma alternativa viável para o setor se adaptar ao fim da escala de trabalho 6×1. A projeção foi levantada pelo CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, em coletiva sobre os resultados financeiros da companhia, indicando que o expediente poderá ser finalizado entre 20h e 21h em diversas regiões.

Impactos da nova jornada no varejo brasileiro

A adaptação faz parte das estratégias discutidas pelas redes para absorver a redução na jornada de trabalho, que entra em vigor em dezembro de 2026. A nova regra assegura duas folgas semanais remuneradas e diminui o limite máximo de 44 para 40 horas semanais de forma gradual, sem qualquer redução nos salários dos colaboradores.

“É muito provável que depois da virada do ano a gente vai ver o encurtamento nos horários de abertura”, afirmou Gomes durante o encontro com jornalistas, ressaltando que o tema é debatido por associações do comércio, embora sem uma deliberação final anunciada.

Desafios operacionais e cronograma de transição

A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em outubro, estabelece a transição para o modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso. A primeira etapa começa em dezembro, garantindo duas folgas e baixando a jornada máxima para 42 horas semanais. O segundo estágio ocorrerá 12 meses depois, fixando o limite em 40 horas.

Críticas ao calendário e custos trabalhistas

O CEO do Assaí criticou o cronograma da medida, argumentando que a implantação ocorre justamente na semana anterior ao Natal, momento de pico nas vendas e de alta demanda por mão de obra. Enquanto entidades do setor buscam alternativas na Justiça para postergar a mudança, o executivo aponta que os atacarejos sofrem menos impacto que os supermercados tradicionais.

No Assaí, que conta com cerca de 90 mil funcionários no país e dez unidades em Goiás, a estratégia para conter despesas envolve o aumento de produtividade. Entre as propostas estão a exigência de embalagens industriais que vão direto para as prateleiras, melhoria nos códigos de barras e a expansão dos terminais de autoatendimento.

Outras empresas do setor, como a rede Savegnago no interior paulista, já adotam o modelo de cinco dias de trabalho e dois de folga desde o início de 2026. A experiência relatada indicou ganhos de produtividade e satisfação, embora a diminuição do horário de atendimento também seja avaliada para evitar a necessidade de novas contratações em massa.

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