O tribunal de Hong Kong sentenciou o proeminente ativista pró-democracia Joshua Wong a uma pena de dez anos de reclusão. A acusação apontou que ele articulou pedidos direcionados a nações e entidades globais para que aplicassem sanções e bloqueios econômicos contra a China e as autoridades locais ao longo do ano de 2020.
Aplicação da lei de segurança nacional
A punição aplicada ao ativista de 30 anos fundamentou-se na rigorosa Lei de Segurança Nacional, estabelecida por Pequim no meio de 2020 na sequência de intensos protestos antigovernamentais e contrários ao avanço da influência chinesa. O território possui o status de Região Administrativa Especial desde 1997, ano em que encerrou seu período como colônia britânica.
Após admitir culpa em setembro, Wong evitou a pena máxima de prisão perpétua. Como ele já cumpria uma sanção penal de quatro anos e oito meses determinada em 2024 por tentativa de subversão estatal, sua soltura ficou projetada somente para o ano de 2036.
Repercussão internacional e falas de aliados
A sentença gerou forte rejeição por parte de entidades de direitos humanos e nações ocidentais que monitoram o cerco político na região autônoma.
O ativista Figo Chan, ex-coordenador da Frente Civil de Direitos Humanos, lamentou a condenação. “É incrivelmente difícil e emocionalmente pesado”, afirmou. Segundo ele, diante do atual cenário político, resta aos ativistas oferecerem apoio uns aos outros.
Posição oficial de Pequim
Em contrapartida, o governo chinês endossou a decisão judicial por meio de seu secretariado diplomático, exigindo que o exterior evite interferências nos tribunais locais.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, defendeu a sentença e afirmou que Wong cometeu um crime grave contra a segurança nacional. Ele também pediu que governos estrangeiros respeitem a soberania chinesa e deixem de interferir em decisões judiciais de Hong Kong.
“O governo central da China apoia firmemente Hong Kong na salvaguarda da segurança nacional e na repressão de atos que a ponham em risco, em conformidade com a lei”, declarou o porta-voz.