O setor brasileiro de produtos biológicos caminha para alcançar a marca de R$ 7 bilhões em 2027, impulsionado pela gradual recuperação financeira dos agricultores e pela retomada dos aportes em tratamentos de safra. Projeções recentes indicam que o faturamento deve atingir R$ 6,7 bilhões já em 2026, mantendo a resiliência do segmento mesmo diante de um cenário de cautela e margens apertadas no campo.
Nova fase e maturidade do setor
Depois de um período de forte expansão, o mercado avança rumo à estabilização. A ideia de que os insumos naturais substituiriam os químicos perde força, dando lugar a uma estratégia integrada de proteção de cultivos.
“O mercado biológico está passando desse momento de todo aquele otimismo. Na nossa visão, ele não veio para substituir, veio para complementar o controle biológico. A gente entende que ele vai continuar crescendo”, disse Bruno Fonseca, analista de insumos do Rabobank.
Resistência à crise e foco em pragas
Mesmo com restrições orçamentárias nas propriedades rurais, as tecnologias já adotadas conseguiram manter seu espaço. Soluções voltadas para o combate a pragas específicas continuam firmes nas recomendações técnicas das fazendas.
“É um mercado que não vai ser perdido facilmente. É um tipo de produto que o produtor não vai ficar tirando, por exemplo, no controle de nematoides ou de lagartas”, afirmou.
Desafios financeiros e fluxo de caixa
Para que o ritmo de alta volte a acelerar, o alívio no caixa dos produtores é considerado indispensável. Atualmente, as empresas do setor têm sacrificado margens e oferecido condições comerciais agressivas para garantir competitividade.
“Uma melhora na condição financeira do produtor vai possibilitar que o mercado biológico volte a crescer”, afirmou Fonseca.
Levantamentos da CropLife Brasil mostram que as vendas avançaram 4,2% no primeiro semestre de 2026, período que representa apenas uma fração menor do faturamento anual, visto que cerca de 73% da comercialização se concentram na segunda metade do ano.