O sonho da paternidade e da maternidade, cultivado por 13 anos de casamento, ganhou um novo capítulo na vida do representante comercial Joel Barros, de 44 anos, e da professora Valéria dos Reis, de 48. Moradores de Anápolis, no interior de Goiás, o casal decidiu transformar sua rotina ao adotar cinco irmãos de uma só vez, após enfrentarem dificuldades biológicas para ter filhos.
O início da trajetória no instituto de acolhimento
A conexão com as crianças ocorreu através do Instituto Cristão Evangélico (ICE). Valéria, que frequenta a Assembleia de Deus do Maracanãzinho, começou a atuar como mãe auxiliadora na unidade. O contato constante com a realidade das crianças permitiu que Joel também se aproximasse, passando a visitar o local nos finais de semana para brincar com Rayane, de 14 anos; Laura, de 12; Yarin, de 10; Lucas, de 7; e Samuel, de 6.
A convivência despertou no casal o desejo de ampliar a família. Ao refletirem sobre o futuro, eles buscaram orientação espiritual e decidiram seguir em frente com a decisão. “Eu passei a observá-los, então Valéria e eu conversamos, entramos em concordância e também em oração. Fomos pedir a Deus se realmente era essa missão que Ele colocaria em nossas mãos”, contou Joel.
Processo legal e a adaptação familiar
Após a decisão, o casal iniciou os trâmites legais, passando por entrevistas com psicólogos, assistentes sociais e representantes da Justiça. O primeiro encontro oficial foi marcado por forte carga emocional. “Foi um dia que ficou marcado em nossos corações e também no coração deles. Um momento de muito choro e também de muita alegria de ambas as partes”, disse Joel.
Durante a fase de vinculação, o casal notou comportamentos de regressão nas crianças, algo comum no processo de adaptação. “Foi uma das partes desafiadoras. Alguns regrediram, passaram a ficar mais ‘bebezezinhos’. No processo de aproximação acontece muito isso”, relatou o pai.
Uma rotina de gratidão e afeto
Sete meses após a adoção, a casa em Anápolis vive uma nova dinâmica. Com mudanças práticas, como a troca do veículo e a transferência escolar, a família celebra a união. Joel destaca a gratidão demonstrada pelas crianças: “Eles são muito gratos por terem um lar, por terem seus quartos, onde podem dizer: ‘Agora estou em casa, esses são os meus pais, essa é a minha família’. Eles diziam: ‘Obrigado, papai. Obrigado, mamãe’”.
Hoje, a música integra o cotidiano, com as filhas mais velhas participando da orquestra da igreja. Para Joel, a experiência prova que a adoção não depende de bens materiais, mas de amor e disposição. “Não precisa de riqueza para fazer a diferença. A maior riqueza é termos um lar onde haja paz, alegria, amor e carinho”, declarou.
Ao incentivar a adoção de grupos de irmãos, o pai conclui que o valor da família supera qualquer desafio: “Tem muitas crianças que estão em um orfanato. O que mais elas querem é apenas um pai ou uma mãe que dê amor, afeto, carinho e um lar onde elas possam dizer: ‘Eu venci’. Essa é a maior riqueza que existe: a família, o maior patrimônio”, afirmou.