A Polícia Civil de Goiás indiciou dois médicos envolvidos no falecimento da gestante Sofia Jacob da Cunha Macedo, de 22 anos, e de seu filho, Dante Amorim da Cunha. O trágico episódio ocorreu em 2024 na maternidade Mater Dei, localizada na capital goiana, após uma rápida e grave deterioração no estado de saúde da paciente.
Investigação policial e novos suspeitos
De acordo com o relatório da polícia, a responsabilidade pelo ocorrido pode envolver outros profissionais que integravam as equipes de plantão durante o atendimento. Contudo, esses nomes ainda não foram totalmente identificados pelas autoridades. O caso segue sob análise do Ministério Público, que aguarda a conclusão de novas diligências para definir a denúncia formal.
O delegado Wladimir Freire destacou o volume expressivo de documentos reunidos ao longo da investigação, ressaltando a complexidade do inquérito. A defesa dos profissionais indiciados — o médico plantonista Guilherme Ângelo Vera Faria e o diretor técnico Alan Oliveira — não foi localizada para comentar o caso.
Relatos da família e acusações de negligência
A mãe da vítima, Niris Quirino, tem lutado por respostas e aponta falhas graves na conduta da equipe médica desde as primeiras idas ao hospital. “Eu não posso perder minha filha e o meu neto em vão!”, afirma.
Segundo os familiares, os sintomas iniciais de Sofia foram tratados erroneamente como quadros de ansiedade ou dengue, sem a realização de exames aprofundados. O marido da vítima, Artur Ferreira, e a mãe também relataram suspeitas de manipulação no horário do óbito registrado pela instituição de saúde, além de denunciarem condutas agressivas por parte de outra médica já na UTI.
Síndrome HELLP e dados alarmantes sobre mortalidade
Uma perícia contratada de forma particular pela família apontou que a causa do óbito foi a síndrome HELLP, uma complicação grave ligada à pré-eclâmpsia que afeta o fígado e o sangue, exigindo rápida intervenção médica.
Estatísticas do Ministério Saúde indicam que a grande maioria das mortes maternas no país poderia ser evitada com assistência adequada. O caso agora se soma a debates cruciais sobre a segurança obstétrica e a necessidade de maior rigor nos protocolos de atendimento em redes hospitalares.
Em nota oficial, o Hospital Mater Dei Goiânia lamentou profundamente a perda, expressou solidariedade aos familiares e destacou sua certificação internacional e estrutura de referência para gestações de alto risco, reforçando que tem prestado todos os esclarecimentos exigidos pelos órgãos competentes.