A Suzano projeta encerrar o ano com uma dívida líquida inferior a US$ 14 bilhões, impulsionada por uma geração de caixa mais robusta no último trimestre. A estratégia de desalavancagem da companhia ocorre após a conclusão da compra de participação majoritária na operação global de bens de consumo da Kimberly-Clark.
Impacto da aquisição nos números
No encerramento do terceiro trimestre, a dívida líquida consolidada da empresa atingiu US$ 14,7 bilhões, mostrando avanço frente aos US$ 12,8 bilhões reportados no segundo trimestre.
De acordo com o CFO da corporação, Marcos Assumpção, o acréscimo decorre primordialmente da transação com a Kimberly-Clark, que adicionou US$ 2,3 bilhões ao passivo entre o pagamento do negócio e a incorporação de obrigações.
Sem considerar a consolidação da nova unidade, batizada de Arbex por meio de uma joint venture, a operação tradicional da companhia apresentou, na verdade, retração no endividamento ao longo do período.
“De qualquer forma, consolidando os resultados da Arbex, fechamos em US$ 14,7 bilhões e assumimos um guidance de que devemos fechar o ano abaixo de US$ 14 bilhões”, afirmou Assumpção.
Desempenho da unidade de bens de consumo
A nova divisão apresentou um Ebitda ajustado de R$ 803 milhões no terceiro trimestre. A margem de ganhos da unidade situa-se em torno de 16%, patamar considerado alinhado à média setorial, que costuma oscilar entre 10% e 20%.
A gestão projeta ganhos graduais de rentabilidade com a captura de sinergias estimadas em US$ 175 milhões, montante equivalente a dois pontos percentuais da receita da Arbex. No quesito comercial, o segmento alcançou vendas de 299 mil toneladas no terceiro trimestre.
Fatores favoráveis para o final do ano
O otimismo da diretoria em relação à melhora financeira apoia-se em aspectos sazonais e mercadológicos. Os últimos três meses concentram o pico de volumes de celulose comercializados pela empresa, além de contarem com um cenário vantajoso para as cotações da commodity.
O câmbio também atua como vetor positivo. Enquanto a média do dólar no terceiro trimestre ficou em torno de R$ 5,15, os patamares recentes se aproximam de R$ 5,50. A administração reforça que a meta de caixa não necessita de alienação de ativos.
Visão da alta gestão
O CEO da Suzano, Beto Abreu, reiterou que a trajetória de desalavancagem segue estritamente o planejamento estipulado, mesmo diante de pressões geopolíticas sobre os custos operacionais.
“A alavancagem ainda está alinhada com nossos objetivos. O foco é continuar nos projetos que reduzem nosso custo, ganhando cada vez mais competitividade”, disse.
Para o encerramento do exercício, o executivo mantém projeções bastante positivas. “Nossa expectativa é de que o quarto trimestre seja o melhor do ano para a companhia”, afirmou.