Um pesquisador afirmou na sexta-feira (7) que o teclado do iOS, da Apple, possui uma lista cinzenta multilíngue não divulgada com dezenas de milhares de palavras e frases que não serão preenchidas automaticamente nem digitadas por gestos.
A relação secreta não impede totalmente a digitação, permitindo que os donos de aparelhos escrevam livremente o que desejam em mensagens e e-mails. Contudo, o sistema evita sugerir esses termos específicos por meio de preenchimento automático ou deslizar de dedos na maioria das situações.
Impacto da moderação invisível
O pesquisador, Derik Kauffman, disse que a descoberta revela como a Apple administra o equilíbrio entre antecipar o que centenas de milhões de usuários de iPhone estão tentando dizer e impedir que os dispositivos ofereçam sugestões ofensivas ou politicamente tendenciosas aos usuários — algo que, segundo ele, pode influenciar discretamente a forma como se comunicam.
“É uma forma de censura muito sutil”, disse Kauffman. “Mas na escala em que a Apple opera, basta um toque sutil para ter um grande impacto”.
Termos políticos e conteúdo sensível
Embora a maior parte dos registros envolva xingamentos, termos sexuais, referências a drogas ou violência, o compêndio também inclui expressões politicamente carregadas, a exemplo de “ditador Trump” e “Joe sonolento”. Em posicionamento enviado por e-mail, a fabricante não comentou diretamente as descobertas de Kauffman, o tamanho ou a composição da listagem, tampouco os critérios para sinalizar determinadas expressões políticas.
A empresa afirmou que os usuários do iPhone sempre têm a opção de digitar palavras ou frases específicas e podem sempre ignorar as sugestões do sistema de texto preditivo. A Apple disse que seu teclado foi configurado para evitar sugestões que possam ser inapropriadas ou ofensivas.
Restrições em diversos idiomas
O bloqueio preditivo afeta vários outros idiomas, cobrindo tópicos sensíveis ao redor do mundo. Em hindi, por exemplo, o sistema dificulta a digitação por gestos de ofensas direcionadas a líderes políticos locais, enquanto falantes de francês e hebraico esbarram em restrições sobre imigração e territórios.
“Todas as principais línguas têm alguma versão disso”, disse Kauffman.
O especialista apontou inconsistências na aplicação do recurso, observando que certas frases de cunho sexual podiam ser deslizadas na tela dependendo do contexto de gênero. A existência do material foi confirmada de forma independente por outro especialista em cibersegurança, que atestou a precisão dos dados extraídos do sistema operacional da gigante tecnológica.
Por fim, especialistas em liberdades civis defendem maior transparência por parte da corporação, argumentando que os consumidores deveriam ter plena ciência e controle sobre tais filtros automáticos em seus dispositivos.