O estado de Goiás contabiliza 8.067 casos confirmados e 23 mortes decorrentes da Covid-19 em 2026. Os dados integram um levantamento obtido por meio do painel epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). A alta ocorre em meio a um cenário de avanço do coronavírus no Brasil, que acumula seis semanas consecutivas de aumento nas ocorrências e aponta indícios de crescimento nas internações hospitalares, conforme apontamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Panorama estadual e impacto nas faixas etárias
Na capital goiana, a plataforma oficial registra 1.435 diagnósticos positivos e cinco óbitos neste ano. Em todo o território estadual, as crianças com menos de dez anos concentram o maior volume de infecções, somando 1.878 registros. Logo atrás aparecem os adultos nas faixas de 30 a 39 anos, com 1.111 casos, e de 20 a 29 anos, com 1.109 ocorrências.
No entanto, o cenário muda drasticamente quando se analisa a mortalidade. Do total de 23 óbitos contabilizados no estado, 19 foram registrados entre indivíduos com 60 anos ou mais, o que representa aproximadamente 82,6% das vítimas fatais. Desse grupo, 12 tinham 80 anos ou mais, quatro estavam na faixa de 70 a 79 anos e três tinham entre 60 e 69 anos. A taxa de letalidade estadual da doença está calculada em 0,29%.
Fatores de risco e alerta de especialistas
A presidente da Sociedade Goiana de Infectologia, Christiane Kobal, pontua que o patógeno nunca deixou de circular no país e atribui a escalada nos números à baixa adesão da população aos imunizantes.
“Por que nós estamos vendo um aumento? Porque as pessoas não vacinas. Só por isso”, afirmou.
A médica ressalta que muitos cidadãos acreditam erroneamente que as doses aplicadas nos primeiros anos da pandemia oferecem proteção permanente. Contudo, a imunidade diminui de forma gradual ao longo do tempo. Para a especialista, o elevado índice de contágio entre os menores de idade reflete uma negligência por parte dos responsáveis na hora de imunizar os filhos, enquanto a concentração de mortes entre os idosos reforça a urgência de proteger os grupos mais vulneráveis. “Os pais têm que entender que têm que levar o filho ao posto de saúde e as pessoas acima de 60 anos, elas têm que entender que elas precisam da vacina”, disse.
Complicações sistêmicas e comorbidades
O painel epidemiológico também aponta 193 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à infecção. Entre os pacientes confirmados, as condições de saúde mais frequentes são doenças respiratórias, com 660 registros, patologias cardiovasculares, com 210, e diabetes, com 172.
Christiane explica que portadores de problemas cardíacos enfrentam riscos elevados de agravamento. Ela enfatiza, ainda, que o coronavírus não deve ser visto apenas como uma infecção pulmonar. “As pessoas acham que a Covid é uma virose pulmonar, mas não é. A Covid é uma virose sistêmica, então você pode ter meningite pelo vírus da Covid, pode ter miocardite pelo vírus da Covid, pode ter pericardite”, explicou.
Cenário nacional e disponibilidade de tratamento
O Ministério da Saúde identificou tendência de alta em 19 unidades da federação, abrangendo todas as regiões do país. Desde o início de 2026 até o dia 4 de novembro, o Brasil somou 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid-19. Indicadores de laboratórios privados também apontam crescimento na proporção de testes positivos por nove semanas seguidas.
Apesar da expansão viral, o Ministério da Saúde mantém a classificação de baixo risco para a atividade da doença em todo o território nacional, e a Fiocruz reforça que a incidência de casos graves continua em patamares baixos. Paralelamente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza de forma gratuita o medicamento antiviral Paxlovid para pacientes que preenchem os critérios clínicos, desde que haja diagnóstico e prescrição médica precoces. “Será que esse cidadão que faleceu ou essa pessoa que teve um desconforto respiratório, o médico diagnosticou precocemente, fez o exame precocemente, passou antiviral para essas pessoas?”, questionou a médica, reforçando: “Temos um remédio que mata o vírus e esse remédio existe nos postos de saúde de todo o Brasil”.