O diagnóstico de síndrome de Down de Maria Rita Maia Lobo, atualmente com dois anos, provocou uma reviravolta profunda na rotina de seu pai, o delegado da Polícia Civil de Goiás Marco Antônio Maia, de 47 anos. A confirmação da condição genética, obtida ainda na fase gestacional, gerou apreensão e incertezas iniciais, mas abriu caminho para uma nova compreensão sobre a paternidade e os valores familiares.
Descoberta durante a gestação e o impacto inicial
Após exames de ultrassom apontarem alterações, o casal recorreu ao teste pré-natal não invasivo NIPT, que confirmou a trissomia do cromossomo 21. O delegado admitiu que a notícia gerou abatimento inicial devido à falta de familiaridade com o tema.
“Quando a gente teve a certeza, realmente deu uma tristeza. A gente assusta, é um desconhecido. Eu sempre falo que o primeiro preconceito é interno”, afirmou.
Com o passar do tempo e a busca por orientações médicas, o cenário mudou. A família entendeu que a menina necessitaria de terapias contínuas, como fonoaudiologia e fisioterapia, para estimular seu pleno desenvolvimento.
“É uma pessoa que vai ter mais dificuldade, vai lutar mais, com a fisioterapia, a fono. Eu sei que a jornada dela vai ser mais difícil que a das outras, mas Deus dá força”, relatou.
Cirurgia cardíaca em São Paulo e superação na UTI
Além da trissomia, a caçula nasceu com uma cardiopatia grave, exigindo uma cirurgia complexa quando ela tinha apenas seis meses de idade. A intervenção médica ocorreu em São Paulo, onde a menina permaneceu hospitalizada por vinte dias, incluindo um período na Unidade de Terapia Intensiva.
“Com seis meses, a gente teve que ir para São Paulo. Ela ficou 20 dias no hospital, fez cirurgia e hoje está recuperada, bem”, contou.
O pai destacou a atuação da equipe médica e classificou o episódio como o momento mais desafiador enfrentado pelos familiares até o momento.
“Hoje eu não tenho dúvida de que aquele foi o momento mais difícil das nossas vidas. Mas, graças a Deus, ela conseguiu os melhores médicos, foi tudo muito certinho”, lembrou.
Convivência com as irmãs e foco na autonomia futura
Em sua residência em Goianésia, Maria Rita convive diariamente com as três irmãs mais velhas: Valentina, Gabriella e Marcella, de 12, 8 e 5 anos. O envolvimento das crianças tem sido fundamental para o progresso da caçula, que costuma imitar o comportamento delas.
“Elas vieram com um amor grande por ela. A gente se surpreende, e as três ajudam muito nessa caminhada. Ela se espelha nas irmãs e tem evoluído muito com a convivência”, explicou.
A luta contra o preconceito social
Um dos pontos centrais na criação da menina é a garantia de sua independência futura, objetivo que motivou o delegado a se informar sobre histórias de superação de outras pessoas com a mesma condição.
“A gente sabe que, antigamente, a expectativa de vida das pessoas era muito pequena. Hoje já existem pessoas com 70, 79 anos. Então, trabalhamos muito essa questão da saúde e da autonomia, para que ela tenha uma vida normal e não dependa de ninguém depois que a gente não estiver mais aqui”, disse.
Para o policial, a sociedade contemporânea ainda carece de preparo para lidar com a diversidade, o que reforça a necessidade de engajamento em causas inclusivas.
“O mundo ainda é muito preconceituoso, ainda não está muito preparado para essas diferenças. A gente vem tentando abraçar cada vez mais essas bandeiras da inclusão para deixar o mundo um pouquinho melhor para ela”, afirmou.
Homenagem de aniversário e reflexão pessoal
Por ocasião do aniversário de dois anos da menina, celebrado em uma quarta-feira (4), Marco Antônio compartilhou uma mensagem em sua conta no Instagram, refletindo sobre sua evolução emocional diante da condição da filha.
“Aprendi que, muitas vezes, o primeiro preconceito que precisamos superar é o nosso. Não era falta de amor. Era medo do desconhecido”, escreveu.
O pai concluiu ressaltando que a principal lição veio da própria convivência diária, invertendo o papel de quem ensina e quem aprende.
“Eu achava que minha missão seria ensinar você a enfrentar o mundo. Mas foi você quem me ensinou a enxergá-lo de outra maneira. Papai te ama infinitamente”, finalizou.