As apurações sobre as irregularidades no Banco Master, liderado pelo empresário Daniel Vorcaro e apontado como a maior fraude financeira do país, aparentam ter perdido ritmo após o período eleitoral e com a chegada do final do ano. A advertência foi feita por meio de um editorial publicado.
Cobrança por celeridade e punição
De acordo com o texto veiculado, “o mínimo que a sociedade espera é a conclusão ágil das apurações em todas as ramificações – e elas são muitas –, para identificar e punir os culpados, independentemente de nomes ou cargos que ocupem”.
Os desdobramentos no Supremo
O editorial relata que, “desde a reunião constrangedora em que o STF postergou a decisão sobre abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes – com quem Vorcaro trocou centenas de mensagens pedindo conselhos e ajuda –, o ministro André Mendonça – antes relator, acusado pelo grupo ligado a Moraes de uso político da investigação – entregou o caso ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A Polícia Federal (PF) indiciou Vorcaro, preso em Brasília, e outros 14 suspeitos. Fachin pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre o relatório. E o país espera”.
Acusações e pedidos de prorrogação
A publicação ressalta que o dono da instituição financeira é acusado de “chefiar uma organização criminosa e de cometer delitos de toda sorte”. Conforme o material, “como ainda existem investigações em curso, a PF pediu ao STF prorrogação de 60 dias no inquérito para finalizar perícias. Não há, porém, como fugir ao óbvio: o Supremo está envolvido. Não pode fingir que nada tem a ver com o assunto e tentar relegar o caso ao oblívio”.
O texto enfatiza que “até agora, a Corte não deu à sociedade respostas convincentes sobre as acusações que pesam sobre seus integrantes, em especial Moraes, a quem, diz a PF, Vorcaro pedia ajuda quando estava prestes a ser preso. Há indícios de encontro entre os dois fora de agenda, sem falar nos mais de R$ 80 milhões que o Master pagou ao escritório de familiares de Moraes. O ministro precisa ser investigado, como aconteceria com qualquer cidadão em circunstâncias semelhantes”.
Adicionalmente, a publicação pontua que o STF “precisa entender que, quanto mais o tempo passa, mais sua imagem se desgasta”. O editorial aponta ainda que, “na miríade de conexões de Vorcaro, é preciso investigar ainda executivos estaduais que autorizaram ou fizeram vista grossa a investimentos de fundos de Previdência em papéis podres do Master, além do envolvimento de parlamentares em propostas de leis favoráveis ao banco”.
Por fim, o veículo avalia que “a PF tem feito um trabalho profissional na investigação. Prova disso é que tentativas de delação premiada fracassaram por oferecer menos do que as autoridades já sabiam. Mas a investigação é apenas um passo. É preciso que Ministério Público e Justiça cumpram seu papel. Seria uma lástima se o tempo passasse, e tudo acabasse em pizza – talvez a mais cara da história brasileira”.