Pesquisadores de oito nações, incluindo especialistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), estimam que o Brasil possa registrar aproximadamente 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. O levantamento integra uma iniciativa internacional de monitoramento que reúne dezenas de modelos matemáticos para antecipar o comportamento da enfermidade no país.
Projeções e o pico da doença
A estimativa central aponta para um volume equiparado ao patamar dos últimos anos, embora o intervalo estatístico de incerteza varie de 560 mil a 1,6 milhão de ocorrências. O modelo indica que o ápice das infecções deve ocorrer no mês de abril, com cerca de 40 mil registros. Para efeito de comparação, o Ministério da Saúde contabilizou aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis em 2025.
De acordo com a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço, as projeções não indicam uma epidemia nos moldes da registrada em 2024, quando houve um aumento atípico de notificações. Ainda assim, a dengue continuará exigindo atenção dos serviços de saúde e ações de prevenção.
O papel do El Niño na transmissão
O planejamento para a próxima temporada considera a expectativa de um aquecimento global atípico, popularmente chamado de super El Niño. O fenômeno climático tem capacidade de modificar o regime térmico e pluviométrico nacional, gerando um ambiente propício para a proliferação do vetor em territórios específicos.
Contudo, as ferramentas analíticas ainda divergem sobre o real alcance dessa interferência. Apenas uma parcela minoritária dos modelos computacionais integrou variáveis meteorológicas, exibindo discordâncias tanto na força quanto na dispersão geográfica dos eventuais reflexos.
Estados em alerta e prevenção
O estudo aponta uma perspectiva de elevação nos registros em seis unidades federativas quando comparadas ao ciclo anterior: Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Nos demais territórios, a expectativa é de estabilidade ou queda.
Mesmo com os indicativos, a orientação técnica é para que a vigilância sanitária permaneça ativa em todo o território nacional. A eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, como recipientes com água parada, continua sendo a principal forma de controle da enfermidade.