Temporal histórico castiga o Sudeste com ventos de até 120 km/h

Um forte temporal acompanhado de ventania atingiu o Rio de Janeiro e diversos municípios fluminenses na tarde de sábado (7). O fenômeno climático também castigou São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e estados da Região Sul, deixando um rastro de rajadas intensas e volumes significativos de precipitação.

Origem das tempestades extremas

De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, especialista da Nottus, a convergência entre uma frente fria e um ciclone extratropical associado provocou os estragos. Antes da chegada do sistema, o forte calor e o abafamento criaram o cenário ideal para a rápida formação de nuvens carregadas que avançaram pelas localidades.

Ventos recordes e impacto climático

O maior registro de vento entre o sábado e a manhã de domingo ocorreu em Cachoeira Paulista, no interior paulista, ultrapassando a marca de 120 km/h. Outros pontos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais também sofreram com rajadas que chegaram a 90 km/h.

Para o especialista, o cenário global de alterações no clima explica a violência desses episódios: “Hoje em dia, tudo é superlativo — calor é calor demais, frio é frio demais, e, quando a gente tem essa mudança brusca de condição do tempo, termina provocando a formação dessas fortes tempestades”, afirmou.

Tornados e microexplosão atmosférica

A instabilidade severa estimulou a criação de supercélulas capazes de gerar tornados. “Isso é mais comum, mas não exclusivo, no Sul do Brasil”, pontuou Nascimento, lembrando que episódios recentes atingiram o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.

Embora esses fenômenos ocorram no país desde os anos 1970 e 1980, os recursos tecnológicos atuais facilitam o monitoramento, enquanto as alterações climáticas intensificam a frequência.

O caso de Cachoeira Paulista

Na cidade do interior paulista, os radares identificaram um evento distinto: a microexplosão atmosférica. O fenômeno se caracteriza por uma rajada que “literalmente desce da nuvem e termina arrastando tudo por onde passa”, superando velocidades de 100 km/h.

Enquanto o tornado exibe o tradicional formato de funil, a microexplosão atua de maneira vertical descendente. O processo converte imensa carga de energia em força cinética, provocando destruição equivalente à de um tornado nas áreas afetadas.

Deixe um comentário