O Papa Leão reuniu cerca de 40 mil pessoas na fronteira entre o Uruguai e a Argentina, onde muitas esperaram durante a noite sob chuva intensa, para pedir que a população supere divergências em uma região marcada por profundas divisões políticas.
Missa histórica e apelo pela união
O pontífice de 71 anos percorreu aproximadamente 750 km entre Montevidéu e Paysandú, um polo econômico no noroeste uruguaio. Esta foi a primeira vez que um papa visitou a cidade ribeirinha, escolhida pelo Vaticano para facilitar o acesso de peregrinos de toda a região sul-americana.
A multidão enfrentou ventos fortes e aplaudiu a passagem do papamóvel em um vasto parque na extremidade sul da cidade. Durante o sermão, o líder católico utilizou a Ponte Internacional General Artigas como metáfora para o diálogo e a cooperação entre as nações vizinhas.
“Não é difícil imaginar os benefícios que uma ponte traz: abertura, comunicação e intercâmbio. É por isso que é tão importante sermos construtores de pontes!”, disse ele. “Esta é a vocação para a qual todos nós somos chamados: construir pontes, fortalecer laços, unir, comunicar.”
Surpresa em país de forte tradição secular
Após retornar a Montevidéu para uma vigília no Estádio Centenário, o papa foi recebido por uma multidão estimada pelo Vaticano em cerca de 100 mil pessoas. O engajamento surpreendeu em um território amplamente secularizado, onde pesquisas indicam que apenas um terço dos adultos se identifica como católico.
“Sempre nos dizem que este é o país mais secular da América Latina, mas eventos como este mostram algo diferente”, disse Mathias Franco, de 18 anos, sobre a expressiva adesão popular ao evento religioso.
Visita à periferia e agenda internacional
Na tarde de sábado, o roteiro incluiu uma passagem por Casavalle, um bairro na periferia norte de Montevidéu afetado pela violência e pelo tráfico de drogas. O papa caminhou entre habitações precárias, consolou moradores e pediu o fim da apatia diante da desigualdade social.
“Não podemos ignorar as muitas pessoas ao nosso redor que estão sofrendo”, afirmou o pontífice, após abraçar uma mãe em situação de vulnerabilidade.
A viagem internacional de 12 dias ocorre menos de um mês após o líder católico passar por uma cirurgia de câncer de pulmão. O roteiro papal prevê ainda passagens para debater desafios continentais como destruição ambiental e instabilidade política, com encerramento da etapa uruguaia neste domingo antes do deslocamento para a Argentina.