Pesquisa quaest aponta que 56% veem fuga de flávio bolsonaro para os eua

Um levantamento divulgado pelo instituto Quaest aponta que 56% dos brasileiros acreditam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o país para escapar da Justiça, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. A pesquisa também indica que 35% avaliam que o objetivo da viagem aos Estados Unidos foi fugir de uma perseguição política, enquanto 2% rejeitam ambas as explicações e 7% não souberam responder.

Repercussão da viagem e alcance recorde

Entre os entrevistados que tomaram conhecimento da saída do parlamentar, 62% desaprovam a decisão de deixar o território nacional. Em contrapartida, 29% consideram que a atitude foi correta e 9% não opinaram. O tema atingiu 89% dos consultados, marca apontada pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, como o maior índice de conhecimento de um acontecimento já registrado pelo instituto em estudos recentes.

O trabalho de campo ocorreu de forma presencial entre 30 de outubro e 2 de novembro, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. O grau de confiança é de 95%, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Divisão por espectro político

As opiniões sobre a viagem variam de maneira drástica conforme a orientação política dos participantes. Entre eleitores lulistas e pessoas de esquerda que não se autodeclaran lulistas, 92% reprovam a partida. No grupo dos independentes, a desaprovação chega a 63%, ao passo que 21% avaliam a medida como acertada.

A direita não bolsonarista apresenta divisão quase equivalente: 46% defendem que o senador acertou ao sair do Brasil, e 45% afirmam que ele errou. Já entre os bolsonaristas, o apoio é maciço, com 90% de aprovação à viagem e apenas 5% de rejeição.

Motivações e ordens judiciais

A leitura sobre os motivos da viagem segue a mesma polarização. Entre os apoiadores de Bolsonaro, 93% enxergam proteção contra perseguição política, visão compartilhada por 51% da direita não bolsonarista — grupo em que 42% acreditam em fuga da Justiça. Entre os lulistas, 82% apontam a tentativa de escapar das autoridades como o principal fator.

Flávio desembarcou em Miami em 28 de outubro, três dias após o segundo turno. Dias antes, em 26 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos passaportes do parlamentar e proibido sua saída do país, a pedido da Polícia Federal em investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Diante do descumprimento do prazo para entrega dos documentos e da saída pela fronteira com a Argentina rumo aos Estados Unidos, a Polícia Federal cancelou os passaportes e iniciou apuração sobre o caso, ressalvando que as restrições de viagem não configuram, por si só, condição de foragido.

Contestação das urnas e conclusão

O instituto também mediu a opinião pública sobre os questionamentos do senador em relação ao pleito. Para 59%, as críticas de Flávio à lisura do processo são incorretas, enquanto 34% as apoiam. Além disso, 61% consideram que o pleito foi limpo e justo, contra 30% que apontam fraude.

O resultado oficial foi referendado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a vitória de Lula por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Após a derrota, o senador divulgou uma carta alegando fraude sem apresentar provas e prometendo manter sua atuação política a partir do exterior.

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