O estado de Roraima decretou situação de emergência em decorrência de uma severa estiagem que tem provocado o avanço de incêndios florestais e causado graves prejuízos econômicos à agricultura local. As chamas já consomem a vegetação nas margens de rodovias, mobilizando equipes de resgate para proteger áreas residenciais.
Avanço de incêndios e impacto ambiental
Na região de Amajari, no norte roraimense, equipes da Defesa Civil atuam intensamente para conter o fogo que se alastra rapidamente pela vegetação seca. Estatísticas oficiais apontam que o volume de focos de calor registrou um salto de quase 90% em comparação ao ano de 2027.
O pesquisador do Inpa Renato Senna explicou a dinâmica do fenômeno: “Esse material de combustão muito fácil vai queimando e o vento vai arrastando essas frentes de queimada para vastas regiões e percorre quilômetros muitas vezes, queimando tudo que encontra no chão da floresta”.
Monitoramento da Defesa Civil e situação dos rios
Diante do agravamento da crise climática, autoridades estaduais intensificaram o monitoramento e o planejamento estratégico. “Tão logo o cenário vai se agravando, nós vamos tratando e atuando e ativando maiores ações já voltado para uma resposta”, afirmou o major Rodrigo Maciel, gerente de Proteção e Defesa Civil/ RR.
Situação crítica do Rio Branco
O principal indicador da escassez hídrica na região é o Rio Branco, cuja régua métrica atualmente aponta menos de 80 centímetros. Esse volume representa uma baixa superior a um metro em relação ao patamar medido em 2025.
Prejuízos bilionários na agricultura
A falta de chuvas compromete diretamente a produção agrícola, afetando tanto agricultores de pequeno porte quanto grandes produtores de commodities. A safra de soja prevista para 2026 pode sofrer uma redução de 50%, gerando perdas financeiras estimadas em R$ 2 bilhões.
Entre os pequenos produtores, o desânimo é generalizado. “Para este ano, a expectativa praticamente é zero. A gente está vendo aqui atrás o plantio, isso aqui a gente já deu como perdido”, lamentou o agricultor Sérgio Fernandes Medeiros.
O impacto financeiro sobre o setor produtivo também preocupa as entidades representativas. Segundo Murilo Ferrari, presidente da Aprosoja Roraima, “O produtor, este ano, ele vai colher e não vai conseguir honrar com os seus compromissos, não vai conseguir pagar as contas. Ele vai trabalhar o ano inteiro e ainda vai ficar devendo”.