Ministério público de São Paulo acelera extradições com nova secretaria

O advogado Marlon Gerolin foi localizado pela Interpol na comuna de Pavia, no norte da Itália, em 20 de outubro de 2025, após ter sua prisão decretada por uma tentativa de homicídio cometida em 2005, quando tinha 25 anos. Condenado a dez anos e dez meses de prisão, ele acabou extraditado para o Brasil em 19 de agosto de 2026, desembarcando no aeroporto de Guarulhos e sendo encaminhado à penitenciária 1 de Presidente Venceslau, no interior paulista. O detento cumpre pena em uma cela individual que atendeu às exigências estabelecidas pela Itália e pela Corte Europeia de Direitos Humanos.

Atuação da Secretaria de Cooperação Internacional

Embora o caso pareça um procedimento comum, a conclusão em menos de um ano ocorreu devido ao suporte da Secretaria de Cooperação Internacional, formalizada em maio e liderada pelos promotores Olavo Pezzoti e Eduardo Velloso. A estrutura atua focada em três pilares fundamentais: a produção de informações, a identificação e recuperação de ativos, além da localização e captura de foragidos. Vinculada à Subprocuradoria-Geral de Justiça Criminal, a pasta resolve o problema da morosidade histórica decorrente da atuação isolada de promotores no contato com autoridades estrangeiras.

Centralização reduz tempo de processos

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, destaca que a centralização das demandas elimina gargalos e evita que pedidos fiquem parados por mais de três anos, como ocorria frequentemente no passado. No caso do advogado extraditado, a secretaria trabalhou em conjunto com a Promotoria de São José do Rio Preto para traduzir documentos, prestar informações sobre o presídio e coordenar ações com os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores.

Visão de especialistas sobre a nova estrutura

“É difícil que o promotor lotado em determinada comarca, cuja agenda costuma ser sempre lotada, lide com isso no dia a dia. A secretaria veio para dar esse apoio”, diz o procurador-geral.

Para o advogado Leonardo Massud, a iniciativa aprimora as condições nas quais a cooperação internacional acontece —”em especial nos casos envolvendo organizações criminosas transnacionais e o fluxo de capitais”. Já o advogado Sergio Bessa avalia que a estrutura especializada “tende a produzir pedidos mais bem instruídos, diminuindo a chance de devolução”.

Outras frentes no combate ao crime organizado

Além da unidade de cooperação, o Ministério Público paulista expandiu sua atuação com o grupo de persecução penal, voltado a evitar a ocultação e a transferência de bens por investigados. Entre os resultados dessa frente está a apreensão de um helicóptero avaliado em R$ 25 milhões, atualmente utilizado pelo governo estadual em missões de segurança e transporte de órgãos. Outro suporte importante vem do Nucrim (Núcleo de Apoio Especializado em Criminalidade Organizada, Lavagem de Dinheiro e Corrupção), que atua nos tribunais superiores defendendo a validade de provas e auxiliando na elaboração de novas legislações, como a ação civil de perdimento de bens prevista na Lei Antifacção.

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