A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), reconhecida como uma das principais aliadas de Flávio Bolsonaro (PL) no parlamento, confirmou nesta quarta-feira (7) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o regime de trabalho 6×1. A posição foi firmada após um encontro de lideranças da oposição no Senado para debater os rumos da votação na próxima semana.
Críticas ao uso político da pauta
Apesar de declarar apoio à medida, a parlamentar expressou forte indignação com o momento escolhido para pautar o assunto, avaliando que a discussão beneficia a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justamente no período eleitoral. “Todos nós aqui queremos o melhor para o trabalhador. Agora, o que o PT está fazendo é ridículo”, disse. “Mas nós somos a favor do fim da escala (6×1)”, declarou a senadora.
Para a representante do Distrito Federal, o debate atual funciona como uma estratégia de marketing político para desgastar os opositores. “Eu acho que isso é matéria vencida, gente. O problema é que estão colocando agora pra dizer: ‘nós somos bonzinhos’. É isso que a gente não concorda. Querem dizer para o Brasil que nós somos os monstros. Não somos. Nós estamos preocupados com o trabalhador“, afirmou. “Trazem agora para rir da nossa cara, para dizer para o trabalhador que nós somos contra”, acrescentou.
Impacto eleitoral e defesa das mulheres
Durante a coletiva, Damares Alves ressaltou que a tramitação da proposta neste momento serve aos interesses governistas. “Não afeta o Flávio, mas ajuda o Lula. Você está entendendo que o Lula vai querer ser o pai do trabalhador? De forma hipócrita. Você acha que vidas humanas têm que ficar nesse pingue-pongue? Eu estou falando de mães que acordam de madrugada. Eu estou falando de mulheres. A gente quer o melhor pra essas mulheres. Aí joga como pauta eleitoreira? Gente, isso é desrespeito ao trabalhador. Eu estou indignada”, declarou.
Indignação com o Senado
Questionada por jornalistas sobre a atuação do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na condução dos trabalhos e se o parlamentar estaria beneficiando o Palácio do Planalto, a senadora foi direta: “Você tem dúvida?“. A legisladora reforçou que o foco da oposição continuará voltado para a valorização real da classe trabalhadora brasileira.
A parlamentar concluiu reiterando o compromisso do grupo político com a pauta social, rejeitando qualquer tentativa de transformar o tema em barganha política. “A oposição não vai brincar com a vida do trabalhador. Isso não vai ser moeda de troca, pelo amor de Deus. O que a gente está indignado é que fizeram disso uma moeda de troca agora. É desrespeito à mãe que acorda às cinco horas da manhã. A nossa indignação é só entre o primeiro e o segundo turno, gente”, finalizou.