Sobreviventes do Hamas relembram três anos do 7 de Outubro no Brasil

Um ato solene organizado pela comunidade judaica de São Paulo na manhã desta quarta-feira (7) relembrou as vítimas do grupo terrorista Hamas, quando se completam três anos do ataque do 7 de Outubro. A cerimônia ocorreu no Memorial às Vítimas do Terrorismo, localizado no Cemitério Israelita de Embu, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, reunindo lideranças religiosas e sobreviventes brasileiros.

Depoimentos marcantes de sobreviventes

Entre os presentes estavam os jovens brasileiros Rafael Zimermann e Maurício Wencik, que escaparam com vida dos ataques em território israelense. Wencik compartilhou com os jornalistas o impacto emocional do evento e a dificuldade de processar os traumas acumulados desde o início do conflito, destacando como sua perspectiva sobre a existência foi transformada.

“Viver esse dia foi uma coisa que eu não esperava, nunca fui preparado fisicamente ou emocionalmente para isso”, contou Wencik aos jornalistas. “Pude amadurecer, enxergar a vida de forma diferente. No começo, não gostava muito de falar sobre isso, mas percebi a importância de falar.”

O sobrevivente também detalhou a persistência das lembranças traumáticas em seu cotidiano: “Eu vivo esse dia já há três anos, é como se todos os dias para mim fossem 7 de outubro. Quando ouço um barulho, sinto um cheiro diferente ou vejo alguma coisa, eu revivo esse dia —mas minha vontade de viver e fazer a diferença é muito maior do que a minha dor.”

Apelo pela união e empatia

Durante seu discurso no memorial paulista, Rafael Zimermann reforçou a importância de transformar a dor em uma busca constante por melhoria pessoal e valorização das relações humanas, fazendo um apelo direto aos presentes.

“Muita gente me pergunta: O que mudou em você depois daquele dia?”, discursou Zimermann. “Eu tento ser um ser humano melhor. Estendo minha mão ao próximo e agradeço a Deus todo dia por estar vivo. Se eu puder dar um conselho para vocês nesse dia, é que façam a vida valer a pena.”

“Digam ‘eu te amo’, perdoem, peçam perdão, abracem seus familiares e seus amigos, e não briguem por coisas fúteis. A gente nunca sabe o dia de amanhã. É o momento da gente se unir e ser mais forte, de melhorar como ser humano”, completou.

Para Célia Parnes, presidente da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo), a preservação da memória daquela data carrega um peso histórico fundamental para as futuras gerações.

“Há datas que pertencem à história e há datas que passam a viver dentro de um povo. O 7 de Outubro é uma delas. Cada vítima tinha um nome, uma história, afetos e um futuro. Três anos depois, a ferida permanece.”

Homenagens globais e cenário internacional

O terceiro aniversário dos ataques também mobilizou líderes e comunidades ao redor do planeta. Em Paris, o presidente francês Emmanuel Macron prometeu “combater o antissemitismo em todos os lugares e sempre”. Já em Berlim, o chanceler Friedrich Merz adotou tom semelhante, embora tenha feito ponderações sobre o conflito no Oriente Médio.

“Estamos testemunhando um crescimento de antissemitismo na Alemanha —um antissemitismo que, com demasiada frequência, não é contestado”, disse Merz, acrescentando que seu governo “fará tudo o que estiver ao seu alcance para combater resolutamente o antissemitismo em todas as suas formas, sejam elas novas ou antigas”.

Manifestações de solidariedade também partiram de lideranças como o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e o presidente argentino Javier Milei, que utilizou as redes sociais para manifestar apoio a Israel.

As cerimónias globais ocorreram sob forte esquema de segurança, marcadas por minutos de silêncio em locais emblemáticos como o kibutz Kfar Aza e o local do festival Nova, em Re’im, enquanto autoridades de diferentes nações avaliam os desdobramentos políticos e humanitários da guerra que continua a transformar o cenário geopolítico da região.

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