Os Estados Unidos realizaram a transferência de drones MQ-9 Reaper para solo sul-americano, especificamente para a Colômbia e o Equador. A movimentação faz parte das estratégias voltadas ao enfrentamento do narcotráfico na América Latina, conforme revelado por uma apuração jornalística divulgada nesta terça-feira (6).
Capacidades e histórico do MQ-9 Reaper
Popularmente chamados de equipamentos “caçadores-assassinos”, os veículos aéreos foram realocados de missões previamente executadas no continente africano, conforme relatos de fontes oficiais. Até o momento, o governo norte-americano não divulgou a quantidade exata de aeronaves enviadas nem a proporção da divisão entre os territórios colombiano e equatoriano.
Trata-se de uma aeronave pilotada remotamente com alta capacidade para executar tanto o monitoramento quanto investidas armadas. O modelo ganhou notoriedade global após ser empregado em uma ofensiva dos Estados Unidos que resultou na morte do general iraniano Qassim Suleimani, que chefiava a Força Quds da Guarda Revolucionária, em janeiro de 2020, na cidade de Bagdá.
Alto custo e restrição de frota
Cada unidade do equipamento possui preço estimado em US$ 50 milhões, o equivalente a cerca de R$ 250 milhões na cotação atual. Conforme os dados obtidos, o estoque dessas aeronaves no inventário dos Estados Unidos encontra-se limitado em decorrência de baixas operacionais e do uso de parte dos aparelhos durante o conflito contra o Irã.
Planos de ataques terrestres e cartéis
A chegada dos artefatos ocorre em um momento em que lideranças militares avaliam intensificar as ações ofensivas contra facções criminosas envolvidas com o tráfico de entorpecentes no continente.
Recentemente, o general Francis Donovan, comandante da estrutura militar dos Estados Unidos voltada para a região, declarou que o país estuda a execução de ataques terrestres direcionados aos cartéis de drogas.
Tanto a Colômbia quanto o Equador abrigam facções que receberam do governo norte-americano a classificação de organizações terroristas, rótulo que amplia o leque de medidas legais e militares que Washington pode adotar contra esses grupos.
Dúvidas sobre a eficácia da estratégia
Apesar da movimentação militar, analistas consultados pela imprensa internacional expressaram ceticismo quanto aos resultados práticos de uma tática centrada na neutralização de chefes do crime organizado. De acordo com esses especialistas, as estruturas do narcotráfico possuem alta capacidade de reposição, substituindo rapidamente chefias capturadas ou abatidas sem interromper suas atividades ilícites.
Vale destacar que o Brasil não foi mencionado em nenhum momento nos relatos sobre a redistribuição dos drones MQ-9 Reaper e tampouco nos planos de potenciais ofensivas militares contra cartéis na América Latina.