Ex-jogador de Flamengo e Palmeiras é investigado por venda de diplomas falsos

O ex-jogador argentino Alejandro Mancuso, com passagens marcantes por Flamengo e Palmeiras e que atuou como auxiliar técnico de Diego Maradona na seleção da Argentina, está no centro de uma investigação policial e jornalística. O ex-atleta é acusado de liderar um esquema criminoso de comercialização de diplomas falsos de treinador de futebol, cujos valores chegavam a R$ 100 mil.

Esquema prometia facilidades e licenças expressas

De acordo com os levantamentos divulgados, Mancuso assegurava conseguir certificações emitidas pela Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA) sem que os candidatos precisassem frequentar as aulas ou cumprir a exigência regular de formação. O ex-jogador se apresentava como “diretor internacional” da entidade e afirmava ter total respaldo da diretoria e do departamento jurídico para entregar quatro tipos diferentes de licenças em um prazo de apenas dez dias.

Processo convencional exige anos de estudo

Na prática, o caminho oficial para se tornar um treinador licenciado pela ATFA é bastante rigoroso e extenso. O processo formativo é dividido de forma progressiva e pode se estender por cerca de três anos, sendo que cada módulo exige de seis a 13 meses de dedicação exclusiva. Diante das denúncias, a associação esportiva argentina veio a público para negar veementemente qualquer tipo de vínculo com o ex-atleta.

Famosos citados e origem do escândalo

Durante as negociações reveladas por mensagens e áudios obtidos nas investigações, o ex-jogador mencionou diversos atletas e ex-atletas de renome internacional como potenciais ou reais clientes, a exemplo de Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Petkovic, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Paolo Guerrero, Alex de Souza e Paulinho. Contudo, a citação dos nomes pelo argentino não comprova que os profissionais tenham se envolvido de fato nas irregularidades.

As apurações tiveram início em maio de 2024, após um ex-jogador recusar a oferta recebida por aplicativo de mensagens e decidir expor o caso. Para justificar a proposta, Mancuso argumentava que atletas com ampla bagagem nos gramados já possuíam o conhecimento prático necessário, dispensando a formação tradicional. Aos 58 anos, o ex-meio-campista que marcou época no futebol brasileiro na década de 1990 vê sua reputação abalada por esta grave denúncia de fraude em certificações esportivas.

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