Flávio Bolsonaro quer colocar o Brasil no Escudo das Américas de Trump

O senador Flávio Bolsonaro revelou planos de integrar o Brasil ao Escudo das Américas, uma aliança de segurança regional liderada por Donald Trump com nações latino-americanas. A declaração foi feita durante entrevista concedida ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, e divulgada pelo perfil do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro três dias após o pleito do segundo turno.

Cooperação internacional contra facções

Durante a conversa, o parlamentar brasileiro destacou a importância de unir forças com governos vizinhos para combater o crime organizado e o narcotráfico na região. A adesão ao grupo é vista por aliados como um passo estratégico para fortalecer o enfrentamento a organizações criminosas por meio de ações conjuntas e intercâmbio de inteligência nas fronteiras.

“Eu vou com muita vontade e muita honra querer fazer parte também do Escudo das Américas, para fazer uma cooperação com a Colômbia e com outros os demais países que queiram se unir para combater essas facções narcoterroristas”, afirmou o senador.

Plano de segurança e combate ao crime

A campanha do candidato confirma o objetivo de ingressar na coalizão, da qual o país permaneceu ausente durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia de segurança pública prevê medidas enérgicas contra grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de estreitar laços com autoridades estrangeiras.

“[Traficantes] estão muito preocupados com a minha eleição e têm que ficar mesmo, porque vou implementar um regime muito duro aqui no Brasil e vou precisar muito conversar com o senhor para termos esse intercâmbio de informações: quando um criminosos da Colômbia estiver no Brasil será um grande prazer para mim como Presidente da República prendê-lo e entregá-lo ao senhor, assim como eu quero que o senhor entregue os bandidos brasileiros”, disse.

Alinhamento com Washington

O comentarista político e aliado bolsonarista Paulo Figueiredo aponta que a entrada na iniciativa já estaria alinhada com o governo americano. Meses antes, o senador esteve em Washington para reuniões com membros da administração de Donald Trump, defendendo a classificação das principais facções brasileiras como entidades terroristas pelos Estados Unidos, status que já foi formalizado pelo governo norte-americano.

Em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, nações integrantes do Escudo das Américas assinaram um documento conjunto em Nova York comprometendo-se a tratar os grupos criminosos brasileiros como terroristas, um movimento que pegou a diplomacia do país surpresa na época.

Em seu discurso durante a reunião em Nova York, o republicano fez clara menção ao fato de que os participantes do Escudo das Américas são seus aliados e se beneficiaram eleitoralmente de seu apoio.

“Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais” disse ele. “Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram. Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance.”

A pauta da segurança pública dominou o debate eleitoral, e a articulação internacional com aliados de Washington consolida-se como o eixo central da proposta do candidato para o combate transnacional ao crime organizado.

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