Menores de 10 anos não devem receber remédios para emagrecer, injeções de perda de peso ou passar por procedimentos cirúrgicos bariátricos. A determinação faz parte das diretrizes inéditas publicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (7), marcando o primeiro guia oficial voltado ao combate à obesidade infantojuvenil.
Pilares do tratamento precoce
Para o público infantil com menos de 10 anos, a recomendação central da autoridade sanitária foca em uma alimentação saudável, prática regular de atividade física e suporte comportamental contínuo. O uso de ferramentas tecnológicas, como monitores de exercício e jogos interativos online, também pode auxiliar na movimentação e no estímulo a hábitos mais ativos no dia a dia.
“A base do tratamento da obesidade em crianças e adolescentes não é o medicamento nem a cirurgia, mas o acesso a um apoio abrangente que permita alimentação saudável, atividade física e mudanças sustentáveis de comportamento”, disse Luz María De Regil, diretora do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS.
Restrições e exceções para faixas etárias
A entidade internacional aponta que faltam dados robustos sobre os fármacos da classe GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras — a exemplo de Ozempic e Mounjaro —, para pacientes nessa faixa etária inicial. O uso dessas substâncias e de cirurgias bariátricas possui critérios restritos e restringe-se a adolescentes com maturidade física e mental, após falha em intervenções supervisionadas.
Atenção à saúde mental e cenário global
O suporte psicológico é apontado como fundamental, visto que transtornos como ansiedade, depressão e baixa autoestima agravam o sedentarismo e os hábitos alimentares inadequados. No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram índices expressivos de excesso de peso na infância, enquanto órgãos de saúde reforçam alertas contra o uso estético dessas medicações por causa de riscos como transtornos alimentares, problemas de crescimento e pancreatite.
De acordo com levantamentos do Unicef, o número de crianças e adolescentes com obesidade globalmente quadruplicou desde 1990, tornando o excesso de peso o principal problema nutricional escolar no mundo.