O primeiro turno das eleições presidenciais consolidou uma disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT), marcando a menor diferença percentual desde a redemocratização. Com 47,03% dos votos para o candidato do PL e 45,16% para o atual mandatário, a corrida presidencial entra agora na fase decisiva de caça aos votos que ficaram pulverizados no primeiro pleito e na redução do índice de abstenções.
Estratégias para o segundo turno e o peso da abstenção
Para o candidato do PL, o foco é garantir a transferência de eleitores que apoiaram nomes alinhados à direita, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além de consolidar o apoio de figuras como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). Já o petista enfrenta o desafio de engajar os 33,4 milhões de ausentes — um recorde histórico —, direcionando esforços para redutos tradicionais como o Nordeste, que acumulou 8 milhões de faltas nas urnas.
Impacto dos ausentes e o perfil do eleitorado
Analistas apontam que a alta taxa de abstenção penaliza mais a campanha petista, visto que o fenômeno incide fortemente sobre faixas de menor renda e escolaridade, público historicamente favorável ao partido. Dados de pleitos anteriores mostram que o absenteísmo é maior entre homens jovens de 21 a 29 anos, idosos acima de 70 anos e analfabetos.
“A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre os menos escolarizados do que tinha em 2022. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará”, afirma o cientista político Antônio Lavareda, presidente da Abrapel.
Tentando reverter esse cenário, o atual presidente criticou o desinteresse de parte da população nas urnas durante ato de campanha:
“Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu”, declarou Lula.
Disputa pelos grandes colégios eleitorais e votos da terceira via
Os maiores colégios do país — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — concentram tanto o maior volume de abstenções quanto a parcela expressiva dos mais de 9,3 milhões de votos destinados à terceira via. Flávio superou o adversário em todos eles no primeiro turno, enquanto nomes como Zema e Caiado já declararam preferência pelo candidato liberal para a disputa definitiva.
Com cenários apertados em regiões estratégicas como o Norte, o Sul e o exterior, onde a abstenção chegou a 62%, os dois finalistas intensificam a mobilização para virar o jogo nas urnas nas próximas semanas.