A devoção à padroeira da Amazônia serviu de base para a criação de uma linha exclusiva de vestuário e acessórios voltada para a festividade religiosa que ocorre em Belém. A iniciativa reúne a arte de artesãos fluviais e expressões típicas do vocabulário regional.
Tradição dos barcos nas estampas
A estética aplicada nas peças utiliza o estilo visual tradicionalmente empregado na ornamentação de embarcações de madeira que navegam pelos rios da região. O conhecimento gráfico é repassado entre gerações, eternizando técnicas de pintura que marcam a identidade visual das comunidades locais.
O projeto é fruto de uma iniciativa do Instituto Letras que Flutuam em conjunto com os artesãos. Toda a arrecadação obtida com a comercialização dos artigos é revertida diretamente para os profissionais associados à instituição.
Expressões locais e afeto religioso
O repertório visual das peças destaca termos que refletem a identidade e o modo de falar da população local. Apelidos carinhosos dados à santa, como “Nazinha”, “Nazica” e “Naza”, dividem espaço com gírias como “Égua”, “Mana”, “Pavulagem”, “Curumim” e a grafia “Caboco”. Referências geográficas e culturais, a exemplo de “Marajó”, “Belém”, “Açaí”, “Amazônia”, “Ribeirinha” e o próprio “Círio”, também compõem as criações.
Fundadora da organização responsável, Fernanda Martins destaca a relevância da festividade para a união de diferentes expressões artísticas da região.
“O Círio é um espetáculo da cultura popular que reúne muitos sotaques: vem gente do mundo todo. E é uma celebração do povo paraense, com a cara dessa fé cabocla, com essa estética amazônica. Uma arena onde diversas manifestações da cultura regional também se encontram, como a grafia dos abridores de letras, os brinquedos de miriti, e tantas outras linguagens que derivam da tradição ribeirinha”, afirma.
Impacto econômico e comercialização
As ações de fomento à cultura gráfica ribeirinha tiveram início em 2008, culminando na fundação do Instituto em 2024 para atuar na documentação e capacitação dos artistas. Parcerias para o desenvolvimento de produtos ocorrem desde 2023.
“São produtos que se tornam uma ótima oportunidade para valorizar a cultura tradicional em prol dos detentores desse saber, que são os mestres ribeirinhos. É uma maneira da gente incluí-los no mercado da moda, gerando renda e reconhecimento”, afirma Fernanda Martins.
O catálogo inclui camisas, ecobags, cadernetas, adesivos, letras impressas e placas decorativas feitas à mão. Os artigos estão disponíveis para aquisição no Canto das Letras, situado na Travessa Rui Barbosa, número 257, sala 3, na Vila Prana, no bairro do Reduto, em Belém, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, além do portal oficial do Instituto na internet.