Os gramados que sediam nove partidas da 29ª rodada do Campeonato Brasileiro exibem mensagens de protesto contra a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional.
Manifesto nos gramados do futebol brasileiro
A iniciativa ocorre nas partidas disputadas nesta quarta-feira (7) e quinta-feira (8). Organizada pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), a mobilização coloca em circulação o manifesto com o lema “Proibir não é proteger”.
Durante os confrontos, os painéis eletrônicos ao redor do campo exibem diversos questionamentos e avisos aos torcedores. Entre as frases escolhidas estão “Não se muda a regra no meio do jogo”, “proibir quem segue as regras favorece quem?”, “não é só o futebol que perde”, “quem lucra com as bets ilegais?” e “a demanda não acaba, apenas muda de endereço”.
Impacto nos patrocínios e alternativas dos clubes
A restrição jurídica provocou forte repercussão financeira no esporte, visto que diversas equipes mantinham acordos comerciais de patrocínio com plataformas de apostas. A regulamentação restritiva começou a valer nesta terça-feira (6), data em que as empresas interromperam suas operações no Brasil.
Para tentar preservar os acordos firmados, as diretorias dos clubes trabalham com soluções provisórias de substituição de marca. Equipes que ostentavam a Superbet como patrocinadora principal passaram a exibir o nome da Superscore, que funciona como uma plataforma estatística da própria casa de apostas, a exemplo de São Paulo e Fluminense.
Defesa do mercado regulado
Como parte da estratégia de comunicação, o manifesto também inaugurou um portal na internet com foco em detalhar as salvaguardas que o mercado regulamentado assegura aos apostadores, detalhando o funcionamento prático das diretrizes.
Carlos Lima, presidente do IBJR, afirmou que “A proibição não faz a procura por bets desaparecer. Ela apenas a empurra para as plataformas ilegais, que não oferecem as garantias e os mecanismos de proteção do mercado regulado”.
O documento oficial, que também conta com a assinatura da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), argumenta que a interdição legal falha em extinguir a atividade no país, resultando apenas na eliminação das defesas destinadas aos consumidores.