Brasileiro em Israel vê saída de Netanyahu como renovação espiritual

Vivendo em Israel desde 1999, o gaúcho Gabriel Schorr relata uma transformação drástica no sentimento da população israelense em relação ao período imediatamente posterior aos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023. O guia turístico, que inicialmente descreveu um cenário de profundo medo e chegou a comprar uma arma, agora aponta para um sentimento de resiliência coletiva diante do cenário político e do isolamento internacional do país.

O cenário político e as eleições parlamentares

O país atravessa semanas de alta intensidade política devido à campanha para as eleições do próximo dia 27, quando os eleitores vão às urnas para renovar o Parlamento e definir o futuro chefe de governo. “É assustador o quão importante esse mês pode vir a ser”, relata Schorr. Pesquisas de opinião indicam que o partido do atual primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, deve perder espaço, embora a formação de um novo governo dependa diretamente de acordos partidários no Knesset.

“Para mim, o dia depois de Netanyahu —not só porque ele sairia, mas por quem entraria no seu lugar— seria uma renovação espiritual para o povo de Israel”, afirma Schorr. “Não sou eleitor dele, então penso não no fim desse governo, mas no começo do novo, espero que nas mãos de Gadi Eisenkot.”

A oposição e os rumos da política externa

Principal nome da oposição e cotado para assumir o cargo de premiê caso sua coalizão alcance maioria no Parlamento, o ex-general Gadi Eisenkot conduz campanha com promessas de desarmar o Hamas e apurar as falhas de segurança que viabilizaram o massacre de 2023. Contudo, assim como Netanyahu, o oposicionista rejeita a criação de um Estado palestino.

“Há uma esperança muito grande de uma mudança dentro do Estado de Israel”, diz Schorr. “Se isso vai mudar a opinião lá fora? A curto prazo, acho que sim. Tem pessoas no Brasil que não sabem pronunciar o nome do meu primeiro-ministro, mas sabem que ele é sinônimo de maldade”, ri.

Isolamento e repercussões internacionais

Ao completar três anos do atentado, o brasileiro aponta que o isolamento geopolítico de Israel atingiu níveis inéditos. “Nós estamos mais sozinhos do que nunca, é uma sensação que pesa o coração por aqui”, destaca. Para ele, mesmo o cessar-fogo na Faixa de Gaza não foi suficiente para atenuar as críticas internacionais direcionadas ao país.

“Deveríamos ter uma campanha enorme no mundo a favor do desarmamento do Hamas. E não para que Israel continue em Gaza, para que saia e um governo tecnocrático árabe entre. Esse poderia ter sido o slogan da Assembleia Geral da ONU: condenamos a forma como Israel lutou na guerra, mas agora precisamos desarmar [o grupo terrorista]. Não vimos isso.”

Recentemente, Schorr esteve no kibutz de Kfar Azza para prestar homenagens no túmulo de Tal Elion, amigo próximo morto durante a ofensiva do Hamas que desencadeou o conflito de proporções históricas na região.

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