Em meio ao cenário de desaquecimento enfrentado por concorrentes como Volkswagen e Mercedes, a BMW intensifica seus esforços na Alemanha ao transformar uma unidade centenária em Munique no principal polo de fabricação da oitava geração do Série 3 totalmente elétrico, que já contabiliza mais de 18 milhões de emplacamentos desde a estreia do veículo em 1975.
Estratégia contrária ao mercado
Enquanto o setor automotivo local sofre com o corte de milhares de postos de trabalho mensais devido à alta nos preços de energia e mão de obra, os operários da montadora bávara permanecem protegidos dos cortes administrativos. A corporação destinou cerca de 2 bilhões de euros para atualizar as plantas de Munique e Dingolfing, além de erguer uma nova central de baterias, reforçando o vínculo com suas raízes nacionais.
“É aqui que produzimos os carros do futuro”, comentou o diretor da fábrica, Peter Weber, durante uma visita às instalações.
“Definitivamente vemos futuro para a Alemanha como polo industrial”, afirmou Raymond Wittmann, chefe de produção do grupo.
Inovação tecnológica e custos
Após um ciclo de reformas que durou cinco anos, a linha de montagem agora conta com robôs autônomos e distribuição em três andares interligados. Com a introdução da nova arquitetura digitalizada, as despesas de fabricação por veículo registraram uma queda de 10%, impulsionadas pelo aumento na eficiência de entrega de componentes.
“Nos últimos anos, a [BMW] ganhou participação de mercado e manteve de forma consistente uma utilização de suas fábricas na Alemanha superior à da Mercedes ou da Volkswagen”, avaliou Patrick Hummel, chefe de pesquisa sobre o setor automotivo europeu no UBS.
“Há uma cultura [corporativa e de gestão] diferente na BMW”, disse ao FT Horst Ott, chefe do sindicato IG Metall na Baviera e membro do conselho de supervisão da BMW.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar da resiliência apresentada pelo volume produtivo interno — que recuou menos que a média da indústria e se beneficiou da repatriação de linhas como o Mini Countryman e o X1 —, executivos reconhecem que a pressão financeira do país continua elevada. Especialistas do mercado apontam que os gastos operacionais locais seguem desfavoráveis do ponto de vista estritamente pragmático.
“De uma perspectiva econômica estritamente pragmática, há poucos motivos para investir em novas fábricas na Alemanha”, analisou Moritz Kronenberger, gestor de fundos da Union Investment.
Contudo, a proximidade com a cadeia de fornecedores ajuda a equilibrar o orçamento, mantendo os custos logísticos reduzidos em comparação aos gastos com materiais dos veículos elétricos.
“Considerando tudo, não há grandes diferenças”, afirmou Wittmann, ponderando que a manutenção da competitividade a médio e longo prazo ainda exigirá melhorias contínuas nos preços de energia e encargos trabalhistas na região.